quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz ano novo.




Eis que me apresento, recém-nascido, desejado e esperado com um misto de amor e medo. Muitos depositam suas esperanças em mim. Crêem que eu, simples e breve como sou, tenho os elementos necessários para proporcionar as mudanças que todos desejam.
Procuro trazer esperança. Dias melhores, tardes intensas e noites felizes. Gostaria de trazer comigo o fim. Fim da pobreza, da desigualdade, da injustiça, da impunidade,mas, infelizmente, está muito além das minhas forças.
Mas com o meu nascimento, trago algo de grandioso e inigualável: esperança.
Esperança que um mundo melhor é possível, que mais pessoas possam abandonar a linha da pobreza, que o pão abunde, não apenas nas mesas dos que sempre o tiveram, mas que preencha a boca dos pequeninos. Trago comigo o sinal do novo, mas não do completo. Venho ao mundo carente de significado, esperando para ser moldado pela família que me aguarda: a grande família humana.
Sou o ano novo, repleto de possibilidades, frágil como todo recém-nascido e dependente de todos para que possa me desenvolver e crescer em graça e sabedoria.
Para que eu possa desejar tudo o que você desejou só preciso de uma coisa: você.
Ame, sonhe, brinque, sorria, viva! Leia um livro, plante uma arvore, tenha um filho, cante e dance na chuva, diga a noite densa que muitas quer lhe sufocar que ela não pode impedir o mais brilhante amanhecer de sua vida.
Seja solidário, fraterno. Procure consumir menos, cultive o interior. Elogie amigos e colegas de trabalho, as vezes eles também precisam de incentivos. Sinta o perfume das flores e se encante com o som de uma risada, abrace e sinta-se abraçado. Imprima qualidade a sua vida.
Ganhe dinheiro, mas não permita que o dinheiro te ganhe. Diga eu te amo quando tiver vontade e de vez em quando, quebre a rotina. Acorde um pouco mais tarde e tente sentir sua cama, se possível, sinta quem está nela com você.
E que no final de minha existência, possa ficar marcado em sua lembrança como o ano em que você se esforçou para viver e amar, para fazer a diferença em sua história.
Como sei que um ano é pouco tempo e que essas metas não são fáceis, caso não consiga, desde já desejo um feliz ano novo.
Ass. Dois Mil e Dez.

Autor: Emerson Luiz Galindo Almeida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL

Feliz Natal


Letra
A- A+


Frei Betto *

Adital -
Neste Natal, Deus venha amado, desarmado, disposto a conter as iras do velho Javé e, surrupiado de fadigas, derrame diluvianamente sua misericórdia sobre todos nós, praticantes de pecados inconclusos. Venha patinando pela Via Láctea, um sorriso cósmico estampado no rosto, despido como o Menino na manjedoura, mãos livres de cajado e barba feita, a pedir colo a Maria e afago a José.Traga com ele os eflúvios das bodas de Caná e, a apetitar nossos olhos famintos, guisados de ovelhas e cordeiros acebolados, sêmola com açafrão e ovos batidos com mel e canela. Repita o milagre do vinho a embriagar-nos de mistério, porque núpcias com Deus presente, assim de se deixar até fotografar, obnubila a razão e comove o coração.

Venha neste Natal o Deus jardineiro do Éden, babelicamente plural, disposto a fazer de Ló uma estátua de açúcar. E com a harpa de Davi em mãos, salmodie em nossas janelas as saudades da Babilônia e faça correr leite e mel nos regatos de nosso afeto.

Neste Natal, não farei presépio para o Javé da vingança nem permitirei que o peso de minhas culpas sirva de pedra angular aos alicerces do inferno. Quero Deus porta-estandarte, Pelé divino driblando as artimanhas do demo, acrobata do grande circo místico.
Minha árvore não será enfeitada com castigos e condenações eternas. Nela brilharão as chamas ardentes da noite escura a ensolarar os recônditos do coração. Venha Deus a cavalo, a pé ou andando sobre os mares, mas venha prevenido, arisco e trôpego e, sobretudo, desconfiado, à imagem e semelhança de minha indigência.

Enquanto todos comemoram em ceias pantagruélicas, vomitando farturas, iremos os dois para um canto de esquina e, amigos, dividiremos o pão de confidências inenarráveis. Deus será todo ouvido e eu, de meus pecados, todo olvido, pois não há graça em falar de desgraça num raro momento de graça.

Neste Natal, acolherei Deus no meu quintal, lá onde cultivo hortaliças e legumes, e darei a ele mudas de ora-pro-nóbis, coisa boa de se comer no ensopado de frango. Mostrar-lhe-ei minha coleção de vitupérios e, se quiser, cederei a minha rede para que possa descansar das desditas do mundo.

Se Maria vier junto, vou presenteá-la com rendas e bordados trazidos do sertão nordestino, porque isso de aparecer senhora de muitas devoções exige muda freqüente de trajes e mantos, e muita beleza no trato.

Que venha Deus, mas venha amado, pois ando muito carente de dengos divinos. Não pedirei a ele os cedros do Líbano nem o maná do deserto. Quero apenas o pão ázimo, um copo de vinho e uma tijela de azeite de oliva para abrilhantar os cabelos. Cantarei a ele os cantos de Sião e também um samba-canção. Tocarei pandeiro e bandolim, porque sei das artes divinas: quem pontilha de dourado reluzente o chão escuro do céu, e provoca o cintilar de tantas luzes, faz mais que uma obra, promove um espetáculo. Resta-nos ter olhos para apreciar.

Desejo um Feliz Natal às bordadeiras de sonhos, aos homens que prenham a terra com sementes de vida, às crianças de todas as idades desditosas de maldades, e a todos que decifram nos sons da madrugada o augúrio de promissoras auroras.

Também aos inválidos de espírito apegados ciosamente a seus objetos de culto, aos ensandecidos por seus mudos solilóquios, aos enconchavados no solipsismo férreo que os impede de reconhecer a vida como dádiva insossegável.

Feliz Natal aos caçadores de borboletas azuis, artífices de rupestres enigmas, febris conquistadores a cavalgar, solenes, nos campos férteis de sedutoras esperanças.

Feliz Natal às mulheres dotadas da arte de esculpir a própria beleza e, cheias de encanto, sabem-se guardar no silêncio e caminhar com os pés revestidos de delicadeza. E aos homens tatuados pela voracidade inconsútil, a subjetividade densa a derramar-lhes pela boca, o gesto aplicado e gentil, o olhar altivo iluminado de modéstia.

Feliz Natal aos romeiros da desgraça, peregrinos da indevoção cívica, curvados montanha acima pelo peso incomensurável de seus egos pedregosos. E aos êmulos descrentes de toda fé, fantasmas ao desabrigo do medo, néscios militantes de causas perdidas, enclausurados no labirinto de suas próprias artimanhas.

Feliz Natal a quem voa sem asas, molda em argila insensatez e faz dela jarro repleto de sabedoria, e aos que jamais vomitam impropérios porque sabem que as palavras brotam da mesma fonte que abastece o coração de ternura.

Feliz Natal aos que sobrevoam abismos e plantam gerânios nos canteiros da alma, vozes altissonantes em desertos da solidão, arautos angélicos cavalgando motos no trânsito alucinado de nossas indomesticáveis cobiças.

Feliz Natal aos que se expõem aos relâmpagos da voracidade intelectual e aos confeiteiros de montanhas, aos emperdigados senhores da incondescendência e aos que tecem em letras suas distantes nostalgias.

Feliz Natal a todos que, ao longo deste ano, dedicaram minutos de suas preciosas existências a ler as palavras que, com amor e ardor, teço em artigos e livros. O Menino Deus transborde em seus corações.

Frei Betto é escritor, autor de "A menina e o elefante" (Mercuryo Jovem), entre outros livros.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Rir é o melhor remédio



COMO SE DAR BEM NA VIDA MESMO SENDO UM BOSTA
Audio-book do Casseta e Planeta

Politicamente incorreta, a turma do Casseta & Planeta, o grupo mais irreverente do país, faz aqui uma sátira aos livros de auto-ajuda e ensina vários truques e quebra-galhos que farão você se dar bem na vida!

Se você é um incompetente no trabalho, um perna-de-pau no futebol e um mané com as mulheres, não se desespere: os Doutores Cassetas ensinam como reverter esse quadro.

Sobre os autores: Marcelo Madureira, Beto Silva, Helio de la Peña, Cláudio Manoel , Huber, e Reinaldo Batista do Casseta & Planeta . Grupo humorístico criado com a fusão de duas publicações de humor do Rio de Janeiro: a revista Casseta Popular e o tablóide O Planeta Diário. Eles se apresentam no “Planeta& Casseta urgente” na Tv Globo.

Como se dar bem na vida mesmo sendo um bosta – Casseta e Planeta
Tamanho: 56.8mb Formato: mp3

O link para download está logo abaixo

http://www.megaupload.com/?d=D5YQPX0G

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mensagem aos alunos do Colégio Diocesano Cardeal Arcoverde

Senhores pais, meus ilustres colegas professores e meus amados alunos, boa noite! Não posso esconder a alegria que senti ao ser escolhido para essa difícil tarefa: sintetizar numa fala emoções tão intensas quanto a que cada um de nós vivenciou durante essa caminhada. Assim como aquele que se banhou em um rio e ao sair percebeu que tanto ele quanto o rio sofreram mudanças, nenhum de nós, professor ou aluno, permaneceu o mesmo. Não falo apenas do conhecimento lógico matemático, do funcionamento da incrível máquina humana ou do poder impressionante das palavras! Também não estou me referindo a discussões de geopolítica, de conflitos internacionais ou de eventos que marcaram a história da humanidade, falo de coisas mais profundas e não menos importantes: de sonhos e conquistas, da formação plena dos homens e das mulheres que moldarão de forma decisiva o mundo de amanhã.
Numa sociedade que caminha assustadoramente para o individualismo, cultuando o hedonismo, tantas escolas tem se deixado seduzir por esse modelo de competitividade que esqueceram de sua missão fundamental. Optam por slogans e frases de efeito que mostrem o seu diferencial: se arvoram em “berços de líderes”e “fábrica de feras”, locais onde o sucesso está garantido. Quando adentrei no Colégio Cardeal fiquei tocado com a sua proposta. Nossos alunos tem se destacado nos esportes, em atividades culturais e sendo aprovados em vestibulares cada vez mais concorridos, mas nunca um dos nossos professores ou funcionários abriu a boca para se referir ao colégio como uma fábrica de alunos autômatos, máquinas de responder questionários. O colégio Cardeal apresenta a cada um de nós a mais audaciosa proposta: um projeto de vida!
Um projeto de amor, de respeito a dignidade da pessoa humana e comprometido com uma formação plena, que envolva o conhecimento,a ética e a espiritualidade. E sem dúvida alguma, a mola propulsora desse projeto são vocês, amados alunos e alunas.
Nessa noite, tão singular e cheia de significado, vocês avançam mais um passo de uma longa e exaustiva jornada. O primeiro de muitos outros rumo a realização de seus sonhos. Sei que hoje estão diante de nossos olhos futuros engenheiros, médicos, juízes, pessoas que irão desempenhar bem os seus papéis profissionais, mas desejo acima de tudo ver em vocês hoje futuros pais e mãe amorosos, profetas de um novo tempo, construtores de uma sociedade mais fraterna e que cultive valores interiores e não exteriores belos e desprovidos de essência.
Alguém já disse que o que fazemos hoje ecoa na eternidade. Hoje o futuro se apresenta diante de vocês, talvez com novos medos e novos desafios a serem vencidos. Escolhas nem sempre fáceis, mas o importante é não perder a meta, não esquecer do grandioso projeto de vida do qual todos nós fazemos parte. Confiante que faço minhas as palavras dos meus pares, desejo que Deus possa abençoar cada um e cada uma de vocês, que lhes dê sabedoria em suas escolhas e a capacidade de perseverar no árduo trabalho de converter sonhos em realidades. Ralph Waldo Emerson afirmou que somos aquilo que pensamos ser. Fujam da tentação do querer ser melhor que, abracem o desejo amoroso de ser melhor para os outros, melhores filhos, melhores estudantes, melhores amigos, enfim, grandes seres humanos. Já possuímos ótimos técnicos, nos falta quem ame em demasia. Coragem! O sucesso é resultado de tudo isso aliado ao nosso esforço. Que ao término dessa noite, possamos sair daqui orgulhosos, não apenas pela etapa vencida, mas por fazer e ter feito parte desse grandioso projeto de vida.

domingo, 20 de dezembro de 2009

E Machado transforma a galinha em mosca

Perdo-me a tentativa de ser engraçado com o título do post, mas, não lembrar-me da galinha de La Fontaine ao ler a mosca azul de Machado de Assis foi impossível. O velho bruxo continua a surpreender e reler seus escritos é quase um mandamento.

A mosca azul


Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.


E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua — melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.


Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
— "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que te ensinou?"


Então ela, voando e revoando, disse:
— "Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor".


E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.


Entre as asas do inseto a voltear no espaço,
Uma coisa me pareceu
Que surdia, com todo o resplendor de um paço,
Eu vi um rosto que era o seu.


Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vixnu.


Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.


Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhes de manso os aromados seios.
Voluptuosamente nus.


Vinha a glória depois; — quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.


Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpos os corações.


Então ele, estendendo a mão calosa e tosca.
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.


Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.


Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houve nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.


Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.


Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.

Luís Fernando Veríssimo



Ed Mort e Outras Histórias
A Mesa Voadora
Banquete com os Deuses
A Grande Mulher Nua
Sexo na cabeça
Comédias para se Ler na Escola
As Mentiras que os Homens Contam
Todas as Histórias do Analista de Bagé
O Clube dos Anjos: Gula
O Jardim do Diabo: Romance
O Opositor
Orgias
Aventuras da Familia Brasil
Borges e os Orangotangos Eternos
Vozes do Golpe – A Mancha

Todos os livros estão em um único arquivo zipado.
Após extrair, você poderá fazer a leitura individual dos livros.

PARA BAIXAR O ARQUIVO CLICKE NO LINK:


http://www.mediafire.com/?jzgodmlmqjl


Abaixo sinopse dos livros:

A Mesa Voadora

Terceiro livro da série Ver!ssimo, que vai relançar toda a obra do autor, traz 47 crônicas sobre culinária, pratos e gourmets. Com sua bem-humorada verve, mostra como conseguir vencer os obstáculos e chegar ao seu objetivo num buffet, os prazeres de uma boa sopa e como degustar um ovo frito, entre outros temas.

Banquete com os Deuses

São 73 crônicas divertidas, ternas e peculiares sobre a relação de Veríssimo com a arte e a cultura. Traz lembranças do menino sensível e seu deslumbramento diante da magia da grande tela. Confissões de um cinéfilo entusiasta, falando dos filmes, astros e estrelas que marcaram sua vida. Impressões do leitor voraz ao longo de suas aventuras literárias. Devaneios de um amante da música, melodiosos como um bom improviso de jazz. Truffaut, Fellini, Chaplin, Flaubert, Marquês de Sade, Miles Davis, Cartola, Chico Buarque, Chet Baker, Salvador Dali estão citados nos textos saborosos do mestre do humor.

A Grande Mulher Nua

Em 1966 o autor trabalhou no jornal Zero Hora em diversas funções. Em 1969 passou a escrever matéria assinada, quando substitituiu a coluna do Jockyman, na ZH. Em 1970, passou a escrever para o jornal Folha da Manhã, mas retornou para a ZH em 75, e passou a ser publicado no Rio de Janeiro também. O sucesso de sua coluna garantiu o lançamento, em 1975, do livro A Grande Mulher Nua, uma coletânea de seus textos.Esta ilustrada obra reune 56 contos curtos deste período.

Sexo na cabeça

São 45 crônicas do mestre do humor, muitas inéditas, com abordagens divertidas sobre o tema. Mostram que não existe hora nem lugar para pensar naquilo. Revelam os fetiches que acendem grandes paixões, os sussurros açucarados e, em geral, ridículos dos enamorados, os jogos de sedução e tudo que diz respeito aos segredos de alcova do homem contemporâneo em crônicas inteligentes e bem-humoradas.

Comédias para se Ler na Escola

A coletânea de crônicas escolhidas por Ana Maria Machado traz o universo das histórias e personagens de Veríssimo.

As Mentiras que os Homens Contam

Todo mundo mente. Mas, na maioria das vezes, mentimos por necessidade, para proteger os amigos, os familiares, as amantes… Fazemos tudo para poupar as pessoas e proteger as mulheres. As crônicas divertidas retratam o cotidiano dos casais e as pequenas mentiras usadas para evitar a desarmonia no lar.

Todas as Histórias do Analista de Bagé

Divertido, levemente alucinado e com um repertório particular de expressões regionais, o analista mais querido do país informa que já nasceu “mais atrapalhado do que cachorro em procissão. Era para ser garçom num restaurante francês, mas acabou num divã à moda dos pampas – com muito chimarrão e espora. A combinação entre psicanálise e o jeito de ser “desta gente de fronteira resultou no crème de la crème do humor nacional.
O leitor vai se divertir com as histórias estapafúrdias e as revelações íntimas deste histriônico psicanalista politicamente incorreto, sem noções mínimas de ética.
Antes de sumir no mundo deu sua primeira e única entrevista que tem o efeito de uma verdadeira bomba ao revelar o seu método de atuação profissional. As informações sobre o seu paradeiro são desencontradas. Alguns dizem que ele morreu, outros que se aposentou. Nem o autor sabe. Seja em Bagé, Rio ou Paris, o analista deixou suas máximas. Complexo de Édipo, por exemplo, dá mais do que pereba de criança. Mania de perseguição é pura frescura, e frigidez feminina resolve-se num amasso… com o próprio, é claro. Para angústias existenciais, a infalível técnica do joelhaço.

O Clube dos Anjos: Gula
Dez amigos reúnem-se desde a adolescência em jantares mensais. São 21 anos em nome dos prazeres da mesa, bebendo e comendo bem. Um certo dia, no entanto, surge um novo cozinheiro com receitas incomparáveis, dando à história nuances de suspense. Um júri formado por profissionais de bibliotecas de Nova York colocou este livro de Veríssimo na lista dos 25 melhores livros da Literatura Mundial.

O Jardim do Diabo: Romance

Primeiro romance escrito por Luis Fernando Veríssimo, Jardim do Diabo: Romance foi publicado em 1988 e é obra cultuada por seus leitores. Inteiramente revisto pelo autor, este thriller bem humorado e inteligente volta em nova edição, atendendo à expectativa dos seus muitos fãs. Uma mulher é encontrada esfaqueada em seu quarto – na parede, escritas com sangue da vítima, palavras em grego. É isso que o inspetor Macieira conta a Estevão, um escritor de histórias policiais, sempre assinadas com um pseudônimo americano. O inspetor Macieira vai atrás de Estevão por um detalhe – a cena do crime é exatamente igual à descrita por ele em seu último romance. O assassinato, no entanto, ocorreu antes de o livro ser lançado. A partir dessa visita, os dias monótonos de Estevão começam a ser invadidos por seus personagens. Vida e ficção passam então a disputar um jogo fascinante de que o leitor é a grande testemunha.

O Opositor

Quarto volume da coleção Cinco Dedos de Prosa, O Opositor é narrado com o humor inteligente que consagrou Luís Fernando Veríssimo como um dos mais importantes autores do Brasil. Cada vez mais habilidoso nas suas crônicas diárias, publicadas em vários jornais do país, neste livro Veríssimo apresenta uma novela de suspense – engenhosa, alegórica, irresistível. Um jornalista de São Paulo vai a Manaus fazer uma reportagem sobre plantas alucinógenas – e em pouco tempo , e sem se dar conta, vai imergir num abismo, um enredo de suspense, de onde talvez só possa sair quando chegar a um afluente de um afluente de um afluente de um afluente do rio Negro. Entre xícaras estonteantes de chauasca e carícias não menos desconcertantes de Serena – a mulher metade dinamarquesa, metade índia, que teve os dois polegares decepados – o nosso herói vai descobrir na Amazônia prazeres insuspeitados. Já seduzido pelos encantos de Serena, ele conhece Jósef Teodor, o Polaco – o motivo que faltava para que peça ao jornal mais tempo para realizar sua pesquisa em Manaus. Muito alto, de cabelos desalinhados em chamas, Polaco há anos não sai do bar nem larga a cadeira que elegeu como pátria. É naquele bar, uma metáfora divertida do Brasil, que o narrador vai ouvir pela a primeira vez a história misteriosa de Polaco. Ele seria um dos Opositores, ou Apagadores, ligados ao grupo Meierhoff, o mais poderoso do mundo. A eles, os Opositores, cabia liquidar quem ameaçasse a supremacia do grupo.

Orgias

Luis Fernando Verissimo mergulha nas tentações e prazeres humanos e ensina: perder o controle é preciso e saudável!
Se civilização é autocontrole, orgia é a festa ao contrário, a festa do excesso, a euforia sem limite protocolar. Bem, existem orgias e orgias – e é desses vários patamares de prazer e tentações que Luis Fernando Verissimo fala neste livro.
A chegada do reveillon e a sucessão de festas de fim de ano são orgiásticas, a seu modo, quando revertem a posição que normalmente todos ocupam, nos escritórios, para se encenarem como festas em que é preciso desreprimir, festejar, de igual para igual, o ano que se foi e o que virá – quando evidentemente seremos melhores, marcaremos a ida ao dentista e vamos parar de fumar. Enquanto isso, a festa pré-final de ano ganha seu caráter libertário e, às vezes, libertino também.
Bebida, dança, comida – com fartura. Acontece assim também no carnaval, em que a troca do dia pela noite é apenas um indício a mais de uma certa loucura coletiva, uma inversão de papéis e sinais. Neste caso, mesmo que você não esteja na orgia da avenida, desfilando com os peitos nus, todas as imagens do samba e da festa vão te assaltar – e ninguém é assaltado impunemente.
Os anjos de nossa vida, nossas queridas crianças, sabem, e como, fazer uma bela orgia – experimente deixá-las à vontade numa festa de aniversário, e neste cenário podem se parecer até com os tais anões besuntados, que Verissimo aposta terem sido obrigatórios nas primeiras orgias romanas. As gregas eram em homenagem ao deus Dionísio, e também se caracterizavam pela perda generalizada de controle.

Aventuras da Familia Brasil

Inspirado nas famílias de classe média brasileiras, Aventuras da Família Brasil traz histórias em quadrinhos desenhadas pelo escritor Luis Fernando Veríssimo. Um pai trabalhador, mas que tem a profissão ignorada, uma mãe dona-de-casa, uma filha mais velha, um filho adolescente, um neto pequeno e uma neta de colo, compõem essa família com muito humor, apesar das dificuldades e aventuras pelas quais têm que passar. Por meio dos traços e palavras de Veríssimo, que faz jus a fama de calado e observador, as situações mais complicadas – que todo mundo, ou quase todo mundo, já viveu dentro de casa – se tornam as mais engraçadas, os momentos mais constrangedores viram uma comédia aos olhos do leitor. As minuciosidades do dia-a-dia de uma família de verdade é expressado com traços simples, palavras curtas e rápidas, e falam dos momentos mais diversos; sejam eles driblar problemas financeiros, definir ética comportamental ou explicar para os mais novos como funcionava o mundo na época em que ainda não havia computadores. Tudo isso sem deixar de lado seu incomparável senso de humor, é claro. Os quadrinhos Aventuras da Família Brasil são publicados até os dias de hoje nos principais jornais brasileiros.
O octogenário Aristide Leonides, dono de grande fortuna, é envenenado em sua mansão, onde vivia com toda a família – sua esposa, cinqüenta anos mais jovem, dois filhos, duas noras, três netos e uma cunhada. Qualquer um poderia tê-lo matado. O único motivo evidente é a fortuna deixada como herança. Mas parece pouco provável que alguém se dispusesse a sujar as mãos por causa do testamento de um velho em idade já tão avançada. Charles Hayward não tem como não se envolver na história: Sir Arthur Hayward, seu pai, é o comissário-assistente da Scotland Yard responsável pelo caso; e Sophia, com quem pretende se casar, é uma das netas da vítima. Portanto, Charles tem seus motivos para tentar solucionar o mistério.

Borges e os Orangotangos Eternos

Ganhador, pelo júri popular, de melhor livro de ficção do Jabuti 2001! Um solitário homem de meia idade vai a Buenos Aires encontrar-se com seu ídolo, o escritor Jorge Luís Borges. Após este encontro, crimes estranhos começam a ocorrer envolvendo demônios arcanos e a cabala. Devido a eles, a humanidade corre o risco de ser destruída.

Vozes do Golpe – A Mancha

Originalmente parte do livro Vozes do Golpe (Carlos Heitor Cony & Luís Fernando Veríssimo & Zuenir Ventura & Moacyr Scliar).
Luiz Fernando Veríssimo compõe em A Mancha uma narrativa de ficção ao mesmo tempo divertida e dolorosa. É a história de Rogério, uma homem de meia-idade, ex-prisioneiro do regime militar. Por obra do acaso ele descobre, anos depois, ao ver uma mancha no carpete de um imóvel que pretende comprar, a sala em que havia sido torturado.

sábado, 19 de dezembro de 2009

UM PONTO FINAL




Tivemos nosso tempo
Nosso momento na história
Um amor que podia ter nascido
Hoje só existe na memória

Dois corações num momento
Passos dados rumo ao firmamento
Coisas que ficaram para trás
Não há como recuperar o tempo
E certas coisas não voltam jamais

A vida nos da o direito
Da escolha de cada dia
Não impõe sabedoria
Nem avisa o defeito
De quem se dedica ao imperfeito

Então há quem confunda
Libertário e libertino
E num momento repentino
Escolha o que faz mal
Querendo o prazer que abunda

Escolhas feitas
Caminho traçado
Cristal quebrado
E alianças desfeitas
Nada disso é consertado

Segue teu caminho
Não implore meu carinho
Você fez o seu destino
cada degrau dele foi por ti galgado
E eu, por mais que você lamente, faço parte do passado.

A Gaga - canção lúdica com Marximino Bezerra

video

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

DICAS DE LEITURA




CREPÚSCULO

Crepúsculo poderia ser como qualquer outra história não fosse um elemento irresistível: o objeto da paixão da protagonista é um vampiro. Assim, soma-se a paixão um perigo sobrenatural temperado com muito suspense, e o resultado é uma leitura de tirar o fôlego - um romance repleto das angústias e incertezas da juventude - o arrebatamento, a atração, a ansiedade que antecede cada palavra, cada gesto, e todos os medos.

O amor entre vampiro e mortal não é uma idéia nova, mas Meyer soube como poucos explorar essa mitologia, acrescendo a seres imortais os temores adolescentes.

Um ótimo passatempo para as férias!

Clique no link ou imagem abaixo para efetuar o DOWNLOAD
[livrosparatodos.net].Stephenie.Meyer.Serie.Crespusculo.01.Crepusculo(.doc).rar

ETERNAMENTE VINICIUS

A carta que não foi mandada

Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais

Vinicius de Moraes

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dica de Leitura




"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais
suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que
deixa o ninho começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra.
Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e
mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo
que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a
existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o
melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento... Pelo menos é o que diz a
lenda."

Assim começa um dos mais belos romances que li.

Tudo começa quando Paddy Cleary leva a esposa, Fiona, e os sete filhos do casal para uma enorme fazenda de criação de carneiros, no início do século XX. Então padre Ralph de Bricassart conhece Maggie criança ainda e se encanta con ela, o que leva passar a vida no dilema de seguir na vida religiosa ou abandoná-la e viver plenamente seu amor por Maggie.

CLIQUE NO LINK OU IMAGEM ABAIXO PARA LER O LIVRO EM SEU COMPUTADOR
BOA LEITURA!

Para abrir o arquivo você precisa do WINRAR ou um programa similar.


http://www.mediafire.com/?zdmmyjyfndj

PERÓLAS

"Há poucos mistérios nessa vida". Foi o que disse certa vez um sábio anônimo. Talvez pelo avanço da ciência, talvez pela perca da nossa ingenuidade, mas o fato é que realemente os grandes mistérios vem sumindo. Encontramos água na Lua. Isso mesmo: água na Lua!!! Mas mesmo diante do avanço tecnológico, os grandes mistérios persistem. Ainda não conseguimos mapear o humor feminino, descobrir po porque das mães sempre detestarem as melhore namoradas e o que nos mantém em empregos mediócres impedindo que o mundo reconheça nossa humildade e imensa genialidade!

Um desses mistérios é a potência inspiradora de uma mesa de bar. Tenho para mim que a teoria da relatividade nasceu numa conversa entre amigos regada com chopp. Não só a teoria da relatividade. Darwin deve ter observado o formato das gotas de água que escorriam pela parte externa do seu copo e chegado a conclusão que as coisas evoluem do básico para o complexo. O avião então.... Dumont estava imaginando como levar alguém as alturas!

E foi numa dessas mesas inspiradoras que ouvi a seguinte peróla:
_ Sempre me perguntei o que estava mais distante, a Lua ou o Japão. Agora sei a resposta: A Lua está bem mais próxima de mim!
Quando indagado sobre como chegou a esse raciocínio meu ébrio amigo respondeu:
- Daqui eu posso ver a Lua. Estais avistando o Japão?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Somos o que pensamos




Os alquimistas afirmavam que o homem era capaz de transformar chumbo em ouro. Numa linguagem metafórica podemos dizer que esse milagre é a transformação das coisas pobres em coisas nobres. Somos capazes de operar maravilhas se assim acreditarmos. Cada ser humano é um milagre único que jamais se repetirá, e nesse milagre infinito da vida, somos convidados a sermos co-autores da existência e autores de nossa história individual.
Deus nos dotou de livre-arbítrio e nos legou a terra, nos convidando a ser participantes do seu sonho de um Reino de paz, amor e justiça. Nos deu a fé capaz de transpor as montanhas, e mesmo assim, não nos abandonou.
No tesouro de nossa consciência, somos capazes de alterar a realidade a nossa volta. “Pensamento positivo atrai coisas positivas”. Nós imprimimos nosso reflexo naquilo que está a nossa volta, seja de forma consciente ou inconsciente, somos nós os arquitetos de muitas das nossas vitórias e muitos dos nossos fracassos.
As vezes, mudar de perspectiva é o primeiro passo para a solução de um grande problema. É por isso que muitos se afastam da tela quando querem admirar de forma plena a obra de determinado autor.
Se somos o que pensamos, porque deixar que os problemas nos vençam? Por que permitir que as dificuldades minem a nossa capacidade de superação? “A fé remove montanhas”. Disse uma vez um sábio que “uma jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo”. Que tal darmos o próximo passo para a felicidade de mãos dadas?

DÁDIVA



Por todas as vezes
E por cada momento
Por cada palavra
E cada pensamento
Por cada ação
Em cada vão momento

Por ter permanecido
Mesmo quando não a queria ao meu lado
E quando diziam impossível
Ter em mim acreditado
Por tudo o que não foi
E por cada ato consumado

Pela nossa vida
Pelo nosso passado
Pela esperança
Pelo sorriso apaixonado
Por tudo nessa vida
Muito obrigado

Você foi o presente
Por Deus enviado
O sol resplandecente
Que pôs fim ao dia nublado
Você restituiu a vida
E lhe deu significado

E por tudo isso
E pelo não falado
Você é dádiva
É milagre vivenciado
Você é meu futuro
Meu presente e meu passado.

sábado, 5 de dezembro de 2009

CARRIE A ESTRANHA



Mais uma dica de leitura!

Até 1972, Stephen King ainda era um professor cujo salário mal dava para sustentar a mulher, Tabitha, e os dois filhos. Nas horas vagas, escrevia histórias de suspense, sempre rejeitadas pelas editoras. Foi então que finalizou mais uma obra. Em seguida, porém, desiludido com o mercado editorial, King arremessou-a pela janela. Foi Tabitha quem o convenceu de recuperar os originais e tentar outra vez. Enviado a um editor, o livro foi aceito. Nascia CARRIE, A ESTRANHA, obra que lança Stephen King no cenário literário mundial.

CARRIE narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente. Aos 16 anos, desajustada socialmente, Carrie prepara sua vingança contra todos os que a prejudicaram. A vendeta vem à tona de forma tão furiosa e amedrontadora que até hoje permanece como exemplo de uma das mais chocantes e inovadoras narrativas de terror de todos os tempos.

Com tantos ingredientes de suspense, CARRIE logo se transformou num enorme sucesso internacional e passou a integrar a mitologia americana. Ao ser transportado para as telas, em 1976, pelas mãos de Brian de Palma, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta em seus papéis principais.

Stephen King é um ícone da cultura contemporânea. Popular, sua obra constitui um dos fenômenos de massa de nossa época. Muitas de suas histórias viraram clássicos do cinema, como três das novelas de As Quatro Estações: "Primavera eterna – Rita Hayworth e a redenção de Shawshank", que inspirou Um sonho de liberdade, "Verão da corrupção – Aluno inteligente", nas telas, O aprendiz e "Outono da inocência – O corpo", transformado em Conta comigo.

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Stephen King - Carrie.doc

CONSCIÊNCIA NÊGA

Esse pequeno texto teatral foi encenado por alunas do Curso Normal da Escola Quitéria Wanderley Simões. Posto aqui para que outros possam valer-se desse texto (desde que citem o autor).

(O cenário é uma sala de casa de família. Um sofá, TV, centro, e um rádio ligado em algum forró. Marilza, a empregada negra, canta e dança enquanto cuida de seus afazeres)
Entra Dona Laura a patroa
DONA LAURA: Eu a pago para ser doméstica, não para ensaiar para a próxima Micareta!
MARILZA: Desculpa Dona Laura! É que arrumar a casa no silêncio é tão chato! (tenta disfarçar dançando) Quem canta seus males espanta, não é?
DONA LAURA: Será? O mal da conta de luz eu só posso espantar se você não desperdiçar com coisas inúteis! Sua classe não fala tanto em preservar o meio ambiente? Então contribua para evitar outro apagão!
MARILZA: Dona Laura... era só uma musicasinha.... nem era de trio.... era forró...
DONA LAURA: Coisa de má qualidade não tem distinção! Vocês que nunca tiveram educação de qualidade, não tem modos, pensam que isso é arte ou até chamam de música! Nunca foram aos salões de Paris, nem aprenderam a apreciar música clássica, admirar uma tela de Picasso ou Renoir! Não podem nem escutar uma lata batendo que fica se remexendo igual pinto no lixo! Típico de vocês! Agora termine a limpeza e cuide de seus outros afazeres!
Sai Dona Laura e Marilza começa a chorar. Se recosta numa cadeira e adormece. (Silêncio prolongado para dar a idéia de sonho, depois uma música instrumental para a entrada de Roque)
Roque: Ó pai ó! Foi humilhada e vai dormir! (fala alto) Levanta mulher!
MARILZA: Meu amor! Como você entrou aqui? O que veio fazer?
ROQUE: Calma minha nêga, eu não sou teu namorado não, sou tua consciência!
MARILZA: Oxe! E porque tu veio igualzinho a Roque?
ROQUE: Era para você prestar atenção no que tenho para mostrar.
MARILZA: E acha que sou assim caidinha por Roque é? Isso não é muito machismo não?
ROQUE: É sim, e foi por isso que escolhi essa forma! Para que você se desse conta do preconceito, tomasse consciência e agisse!
MARILZA: Mas eu sou só uma empregada, nem terminei os estudos, o que posso fazer? Dona Laura mesmo disse, eu não tenho nem gosto, só desgosto!
ROQUE: (Sendo irônico) “Dona Laura”? Ela pode possuir essa casa, mas não possui você! E você pode fazer muita coisa sim, bem mais do que imagina.
Roque puxa duas cadeiras e as coloca lado a lado, senta e bate indicando que Marilza se sente ao seu lado.
ROQUE: Vamos assistir aos fantasmas do passado?
MARILZA: Ui Roque! Eu não gosto de fantasmas!
ROQUE: Mas esses não fazem mal, é como ver televisão, só que ao vivo.
Entram os fantasmas. (Nessa hora pode-se fazer muitas adaptações... as falas podem ser proferidas por todos ao mesmo tempo ou pode se montar um jogral, ou ainda, distribuí-las com mais atores do que os que aqui são indicados).
FANTASMA 1: Somos aqueles que vieram do passado.
FANTASMA 2: Aqueles que presenciaram as lutas.
FANTASMA 3: Aqueles que deram suas vidas para que outros tivessem vida!
TODOS: Somos o espírito da consciência negra! Somos o espírito de um povo!
FANTASMA 1: Eu estive com os que vieram da África, presos e vendidos aos brancos por seu próprio povo. Atravessei o oceano em condições desumanas, vendo muitos morrerem e serem atirados ao mar. Fomos torturados e ameaçados, expostos nus no pelourinho, vendidos pelo Nordeste e fomos proibidos de praticar nossa cultura e religião, mas não perdemos o desejo de liberdade!
FANTASMA 2: Eu estive com aqueles que fizeram Palmares! Vi Zumbi motivar outros a construir uma sociedade fraterna e livre, e testemunhei o preconceito e o ódio contra aqueles que ousaram sonhar. Palmares foi destruída: o sonho de um mundo melhor não!
FANTASMA 3: Eu estive presente quando a lei áurea foi assinada, estive com os que cantaram e dançaram uma falsa liberdade, pois saíram da senzala, mas não foram tratados como cidadãos! Ouvi Luther King proclamar corajosamente que tinha um sonho! Um sonho de uma sociedade onde um homem não fosse descriminado pela cor de sua pele, onde brancos e negros possuíssem os mesmos direitos, um sonho de liberdade!
TODOS: Somos testemunhas da história! Somos parte da consciência de um povo! E desejamos um mundo de iguais!
Saem os fantasmas do passado.
MARILZA: Eita Roque! Quanta coisa para o povo ser livre. Agora porque ele disse falsa liberdade?
ROQUE: Espere que a novela ainda não acabou. (Ele aponta para os que entram)
Aqui se tenta representar as minorias hoje:
Ator 1: Eu sempre desejei ser médico, mas não pude estudar porque tinha de ajudar em casa. Hoje sou zelador, e quando tento ler alguém diz que é melhor eu cuidar do meu serviço.
Ator 2: Eu queria ser dentista, mas quando tentei prestar vestibular alguém da firma disse que eu devia ser auxiliar de enfermagem. Não podia sonhar com coisas impossíveis.
Ator 3: Eu gosto muito de dançar, e uma vez, tentei fazer um curso de balé. Quando cheguei para a matrícula a responsável disse que estava ali para ensinar arte e não a dançar samba ou pagode.
Ator 4: Eu queria ser ator, mas sempre que consigo um papel é para bandido de morro, zelador, motorista, ambulante, ou qualquer coisa que remeta a pobreza e a falta de instrução. Me dizem que o preconceito no Brasil acabou, então porque sempre tenho que retratar meus pares assim?
Ator 5: Uma vez fui agredido por seguranças porque estava dentro do meu carro. Acharam que eu estava roubando porque sou negro e estava em um Cross Fox! Depois o dono do Shopping disse que houve um mal entendido. Eu era exceção a regra.
TODOS: Somos a consciência de um povo! Queremos um mundo mais justo, um mundo onde ninguém seja julgado pela sua cor, convicção, religião ou pelo valor dentro de sua carteira!
Saem
MARILZA: E o que eu posso fazer Roque? Eu preciso de emprego.
ROQUE: Você precisa de emprego, mas não está limitada a isso. Veja o fim da novela!
A atriz escolhida para isso deve ser mais velha e no seu figurino preservar alguns elementos iguais as vestes de MARILZA.
MULHER: Eu sou você num amanhã possível. Estudei em cursos noturnos, em projetos como o TRAVESSIA e o EJA, e conclui o Ensino Médio. Me dediquei com muito esforço e consegui uma ótima nota no ENEM, fui a primeira da minha família a fazer curso superior. Hoje atuo onde sonhei, sou uma profissional realizada, mas não parei de lutar. Não sou exceção a regra, mas luto para que o que é de direito seja feito direito. Disse não ao preconceito dos outros e ao que havia em mim. Sou parte da consciência de um povo e luto para que todos tomem consciência disso. Meu nome é MARILZA, sou livre e continuo sonhando com a liberdade.
Sai a atriz e ROQUE E MARILZA LEVANTAM. Roque devolve as cadeiras aonde estavam antes.
MARILZA: Quer dizer que eu vou conseguir vencer Roque?
ROQUE: Você viu uma possibilidade. O futuro é uma folha em branco onde escrevemos um pouquinho a cada dia! Ele é reflexo das nossas decisões e ações. Decida se vai passar o resto da vida aceitando preconceito e estereótipos ou se vai ser autora da sua própria história.
Marilza se senta no mesmo lugar aonde adormecera e Roque a beija na testa. Sai Roque e entra Dona Laura
DONA LAURA: Era só o que faltava! Eu não te pago para dormir (cutuca Marilza). Acorde sua negra!
MARILZA: Sou negra sim e com orgulho. Agora a senhora sabe que posso lhe processar por racismo? Não só por racismo, mas por me explorar, não assinar minha carteira nem pagar meus direitos?
DONA LAURA: O que é isso Marilza, eu que te ajeito tanto...
MARILZA: Fazendo com que eu trabalhe de domingo a domingo? Deixando eu dormir num quartinho da cozinha? Me dando uma roupa de dez reais comprada na feira no dia do meu aniversário? O tempo da senzala acabou Laura. A senhora pode ser dona da casa mas não é minha dona não!
DONA LAURA: Assim você me ofende...
MARILZA: Como a senhora fez há pouco comigo? “Típico da minha classe”, não foi assim que disse? Até parece que é uma mulher viajada, vai ao piscinão e pensa que foi ver o Sena em Paris. Nunca foi a um museu e quer dizer que aprecia Picasso e Zé não sei das quantas. A senhora é como tantas outras que come rapadura e arrota caviar, mas para mim chega! Vou estudar e seguir meus sonhos, não vou dizer que vou ser alguém porque eu já sou alguém, Sou Marilza Silva, negra com orgulho, e a partir de hoje, uma nêga da consciência!
Tira o lenço que envolvia a cabeça, atira no chão e sai
Entram todos os participantes e encenam ou dublam a música PROTESTO do Olodum

Olodum
Composição: Tatau

Força e pudor
Liberdade ao povo do Pelô
Mãe que é mãe no parto sente dor
E lá vou eu

Declara a nação,
Pelourinho contra a prostituição
Faz protesto, manifestação
E lá vou eu

Aqui se expandiu
E o terror já domina o brasil
Faz denúncia olodum Pelourinho
E lá vou eu

Brasil liderança
Força e elite da poluição
Em destaque o terror, Cubatão
E lá vou eu

Io io io io io
La la la la la la la
Io io io io io
La la la la la la la
E lá vou eu

Brasil nordestópia
Na bahia existe etiópia
Pro nordeste o país vira as costas
E lá vou eu

Nós somos capazes
Pelourinho a verdade nos trás
Monumento caboclo da paz
E lá vou eu

Io io io io io
La la la la la la la
Io io io io io
La la la la la la la
E lá vou eu

Desmound tutu
Contra o apartaid lá na África do Sul
Vem saudando o Nelson Mandela
O olodum

Io io io io io

La la la la la la la
Io io io io io
La la la la la la la
E lá vou eu


Aqui a turma pode fazer sua mensagem

FIM

O iluminado de Stephen King

Olá, pessoal. Como muitos já estão de férias decidi postar algumas sugestões de leitura. Não, não são livros didáticos ou paradidáticos, mas coisas que servem para passar o tempo sem muito compromisso. Para os fãs de histórias de terror, e histórias de terror de verdade, recomendo o bom e velho Stephen "Carrie: a estranha, A torre negra, A hora do vampiro" King. Sua narrativa é ótima, envolvente e realista.

Abaixo segue o link para o e-book "O Iluminado". Boa Leitura!