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segunda-feira, 8 de julho de 2013

De um matuto para os médicos brasileiros



Doutores protestam esses dias
por condições e melhorias
e contra a vinda de estrangeiros
para atender os brasileiros
em todas as freguesias.
Exigem que façam revalide
para que o diploma revide
ao parâmetro nacional
para trabalhar no hospital
e que dele ninguém duvide.

Esses doutores da capital
não vêem que a saúde tá mal
não vêm pro interior
onde falta doutor
gase, agulha e profissional.
Não querem os estrangeiro
cuidando dos brasileiro
não querem ganhar pouco
deixam a gente no sufoco
parece que querem é dinheiro.

Seus doutores do Brasil
aqui tem um pra dez mil
que parece que num tem não
fora os que dorme no plantão
e medicam com bezetacil
quem tem dor dos quarto
aí nóis berra bem arto
e que sirva pra qualquer um
um estrangeiro é melhor que nenhum
que faça pelo menos um parto

Que atenda o indigente
que olhe diferente
do que hoje se faz
que ninguém fique mais
deitado em corredor doente
com as mão no coração
num sistema sem salvação
Venham atender o povo
ou deixe vir médico novo
pra trabalhar pela Nação!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

PERSONALIDADES E PROVOCAÇÕES

Iniciando um novo modelo de entrevistas e registros o blog agora postará materiais produzidos diretamente em vídeo. A ideia teve um grande apoio (e também sugestão) do amigo Cicinho da Informática.

Como o tamanho dos arquivos é muito grande demora um pouco para conseguir fazer o upload dos vídeos para o Youtube. Mas conforme for atualizando os arquivos eles serão postados aqui.

E com vocês o primeiro Personalidades e Provocações com o Poeta Lorinaldo Vitorino que em breve lançará o Cd Ópera de Cordel.





domingo, 6 de fevereiro de 2011

Das utopias

Das chamadas utopias
Sonhos distantes
Quimeras fantasias

Nutro no peito
Esperanças radiantes
E não risadas vazias

Sonho com um mundo fraterno
Onde não falte o pão
Onde o sorriso materno
Seja símbolo de pendão

Mas só se deve sonhar
Quando há coragem para lutar
Sabedoria em esperar
E grandeza em perdoar

E nesse caminho
em que vou andando
os cães ladram
mas a caravana continua passando.

Emerson Luiz

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pérolas de Drummond

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Não passou



Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.

A mão- a tua mão, nossas mãos-

rugosas, têm o antigo calor

de quando éramos vivos. Éramos?


Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Pérolas de Pablo Neruda

Saudade é amar um passado que ainda não passou,


É recusar um presente que nos machuca,

É não ver o futuro que nos convida...





E desde então és

sou e somos...

E por amor

Serei... Serás...Seremos...


Pablo Neruda

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

dos teus olhos

Como luz da aurora
A iluminar o caminho
Que se faz sem demora

Como estrela Dalva
A brilhar no horizonte
Visível e, ao mesmo modo, distante.

Assim brilham teus olhos
Duas joias que reluzem
Joias que atraem meus passos
E cegam-me quando reluzem

Dos verdes olhos teus
Que quisera dizer meus
Pois o dono dos teus olhos
Desfaz os sonhos meus.

Sonhos que sei não poder realizar,
Sonhos de amor e de paixão
Que só pertencem a quem tem teus olhos e teu coração.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PÉROLAS DE MÁRIO QUINTANA

BILHETE


Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,

.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,
.....que a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda.

DO AMOROSO ESQUECIMENTO


Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana - Espelho Mágico


DAS UTOPIAS


Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana - Espelho Mágico

domingo, 10 de outubro de 2010

O Poço - Poesia do grande Pablo Neruda




Cais, às vezes, afundas

em teu fosso de silêncio,

em teu abismo de orgulhosa cólera,

e mal consegues

voltar, trazendo restos

do que achaste

pelas profunduras da tua existência.



Meu amor, o que encontras

em teu poço fechado?

Algas, pântanos, rochas?

O que vês, de olhos cegos,

rancorosa e ferida?



Não acharás, amor,

no poço em que cais

o que na altura guardo para ti:

um ramo de jasmins todo orvalhado,

um beijo mais profundo que esse abismo.



Não me temas, não caias

de novo em teu rancor.

Sacode a minha palavra que te veio ferir

e deixa que ela voe pela janela aberta.

Ela voltará a ferir-me

sem que tu a dirijas,

porque foi carregada com um instante duro

e esse instante será desarmado em meu peito.



Radiosa me sorri

se minha boca fere.

Não sou um pastor doce

como em contos de fadas,

mas um lenhador que comparte contigo

terras, vento e espinhos das montanhas.



Dá-me amor, me sorri

e me ajuda a ser bom.

Não te firas em mim, seria inútil,

não me firas a mim porque te feres.



Pablo Neruda

sábado, 20 de março de 2010

A marreta da morte é tão forte que a pedreira da vida não aqguenta

BRÁULIO TAVARES

Esta vida é uma nuvem passageira
e é de perto que a morte a acompanha:
até mesmo a mais sólida montanha
todos sabem que é feita de poeira.
E eu comparo esta vida a uma pedreira
majestosa, elevada e pardacenta,
mas a morte, com mão sanguinolenta
quebra pedra por pedra à martelada.
A marreta da morte é tão pesada
que a pedreira da vida não agüenta.

Também penso que a morte é um martelo
fabricado de ferro, chumbo e aço
que derruba pedaço por pedaço
um rochedo imponente, forte e belo.
Não tem muro ou parede de castelo
que resista ao poder da ferramenta
que é mortífera, dura e violenta
e espatifa com o peso da pancada. A
A marreta da morte é tão pesada
que a pedreira da vida não agüenta.

Certas vezes eu penso que a morte
é igual a marreta impaciente
quando bate na rocha resistente
e não acha uma pedra que a suporte.
A marreta então bate, bate forte,
chega o ferro avermelha quando esquenta,
e essa rocha tão forte se arrebenta
se transforma em poeira bem pisada ...
A marreta da morte é tão pesada
que a pedreira da vida não agüenta.

disponível em: http://www.interpoetica.com/corda_braulio.htm

Mais uma do Andrade

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 17 de janeiro de 2010

Essa tal modernidade



Em companhia de milhões
Curto minha solidão
Em flashes, pixels
Dedos, toques de botão

Não, não botão
Minúsculas e leves teclas
A singrar horizontes infinitos
Gerar códigos, colorir telas

Estou nessa rede
Onde viver não é preciso
Mas sem a beleza do poeta
Digo que navegar é preciso


É preciso ser moderno
Ter acesso a informação
Milhões de amigos virtuais
Madrugadas de solidão

E quanto mais me preencho
De saber superficial
Desaprendo como escrever
Para tc de maneira lgl

E essa tal modernidade
Que para mim já é passado
Não tocou meu coração
Que já é automatizado.

Matuto no Cinema

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Nu


Desnudo-me diante de ti
com temor
sem pressa
cheio de pudor

Deixo cair as vezes
camisa tecida, algodão
que de olhar baixo
abro botão a botão

Tiro a roupa
e ainda vestido
inteiro, todo de mim
orgulhoso de ter resistido

Mas não há como manter
essa vestimenta artificial
pois vestido de mim
não sou eu, afinal

Estou vestido de homem
trabalhador, profissional
sujeito saudável,
sedutor fatal

Essa figura criada
caricatura de mim
moldada pelas tendências
imitando prata, ouro, marfim

Mas diante de você
e de tudo que sinto
me dispo dela também
e assim não mais minto

Dispo-me para você,
sem orgulho ou preconceito
sem frases prontas
religião sem preceito

Dispo-me para você
e de mim me abandono
dispo-me para você
e assim me encontro

  • Imagem: The Spirit of both - Máquina KONICA MINOLTA - Modelo MAXXUM 7D
  • Disponível no site Olhares.com

Fanatismo





Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Livro de Soror Saudade (1923)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Manifesto do ser romântico

Inspirado em Thiago de Melo

Fica decretado
Que a partir deste dia
É a todos facultado
O amor a poesia

A partir de hoje
Ouça-se a suave melodia
Que a todos deve encantar
Como encanta a cotovia

A partir de hoje
E não mais se adia
Deve-se amar a simplicidade
E sentir essa real alegria

Alegria por viver
Por existir onde antes não se existia
Por poder repensar a vida
Sem se entregar a melancolia

A partir de hoje
Fica proibido a apatia
Diante do milagre maravilhoso
Que é o dia-a-dia

Que sem mais demora
Se possa amar com rebeldia
Sem ter medo de se entregar
A essa chama que queimava e não ardia

Que arda o coração
Livre de toda invídia
Que se ame com tudo o que pode
Numa plena alegria

Que se entenda que nessa vida
A falsidade torna a existência doentia
E que apenas quem ama
Pode dizer que foi feliz no derradeiro dia

sábado, 7 de novembro de 2009

Simbora pro passado ou me torne a esperança

Desculpe o erro de português
Meus leitores intelectuais
Mas prefiro o matutês
Para palavras rimais

Quero ir para o passado
Já que lá era mais fácil
Nada era complicado
Era cheiro a afago
Riso e colo macio

Quero o passado de volta
A brincadeira de criança
Assoviar, brincar de roda
Andar de cavalo de pau
Pintar de verde a esperança

Quero o abraço de vovó
Brincar de bacondê
Barra bendeira
Anel e fita
Quero o beijo de Anita
Primeiro e derradeiro
Festa de aniversário
Lamber colher de brigadeiro

Quero o sete de setembro
Meias brancas e sapatilhas
As fanfarras na rua
Em junho as quadrilhas
Quero retroceder no tempo
Andar em lombo de jumento
Achando que é cavalo
Quero correr de braços abertos
Voando sem sair do chão
Quero de volta a inocência
Que teimam em tirar do meu coração

Talvez não seja seguro voltar
Porque vou querer descometer
Os erros que cometi
E se não tivesse errado até doer
Não poderia dizer que aprendi
Então vencendo a saudade
Não quero mais tornar a ser criança
Que eu permaneça com essa idade
Mas só me torne a esperança.