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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cacique Xukuru do Ororubá realiza caminhada para o fortalecimento do Movimento Indígena de Pernambuco



Republicamos na íntegra, nota produzida pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME, sobre o Movimento Indígena em Pernambuco. Confira:
Numa caminhada de mais de 08 dias, o Cacique Marquinhos Xucuru e Ângelo Bueno do CIMI, percorreram os povos Indígenas de Pernambuco, essa caminhada começou no dia 17 de fevereiro, e passaram pelos povos Kapinawá, Kambiwá, Tuxá de Inajá, Pipipã, Pankará de Arapuá, Atikum, Truka de Assunção, Truka de Orocó, Pankará de Itacuruba, Pankaiwka, Pankararu, Pankararu de Entre Serras e Fulni-ô.
Objetivo dessa caminhada de Marquinhos e Ângelo, foi de simplesmente tentar levantar o movimento indígena de Pernambuco, que segundo o Cacique Xukuru “o movimento indígena de Pernambuco, ficou muito concentrado em problemas internos, esquecendo a luta coletiva entre os povos, e com isso nossos inimigos estão se fortalecendo e caminhando a passos largos”. O que Marcos quis dizer é que grandes obras que impactam terras indígenas, estão sendo realizados como a Transposição do Rio São Francisco, Barragem da Pedra Branca, e a suposta construção de uma Usina Nuclear em Itacuruba.
Em cada aldeia em cada povo, Marcos e Ângelo se reuniram com lideres e comunidade, e falavam sobre a atual Conjuntura Política Nacional dos Povos Indígenas, e tocou bastante no assunto da PEC 215 e as 19 condicionantes da portaria 303, que ainda estão em cogitação no senado nacional, segundo o Cacique Marcos “esse é um chamado de nossa natureza sagrada, pois estão querendo tomar nossas terras, que foi conquistadas por nossos antepassados e onde vive nossas forças da natureza sagrada, e por conta disso não podemos deixar que isso aconteça, e para nos organizarmos precisamos fortalecer nossas bases, e marcharmos em busca dos nossos direitos”. Ângelo também foi muito categórico em suas falas, segundo ele “precisamos lutar contra essas grandes obras que impactam diretamente as terras e territórios indígenas de Pernambuco, não podemos deixar que uma Usina Nuclear seja construída no município de Itacuruba”. As visitas aos povos que o Cacique Xukuru junto com Ângelo do CIMI, foi promovida e financiada pelo próprio povo Xukuru de Ororubá, e o objetivo maior dessa caminhada não era de apenas informar as barbaridades que estão acontecendo contra os povos indígenas, mas de também fortalecer o movimento e de fazer mobilização sim, e para isso já está marcado para os próximos dias 08 e 09 de Março de 2013, uma reunião na TI Truka de Assunção, localizado no município de Cabrobó – PE, com todos os povos indígenas de Pernambuco.
Vai ser uma reunião onde os povos vão pensar, em que ações vão tomar para retomarem a luta pelos seus direitos, e que providencias vão tomar para revogarem a PEC 215 e a Portaria 303. Seguindo as palavras que foi bastante usada nessa caminhada de Ângelo e Marcos, “QUANDO EU DIGO QUE AVANÇA, AVANÇAREMOS”.
Uma Imagem para ficar na História, a grande e eterna Cacique Ilda Bezerra Pankararu de Entre Serras e o Grande Cacique Maquinhos Xukuru.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Na busca da lenha encontramos a chama que mantém viva a luta.




No alto da Serra do Ororubá, em Pesqueira – PE, passado e presente se encontram e se mesclam na Tradição e Identidade de um povo. Séculos de deturpações históricas e de ideologias fizeram com que eu, como tantos outros, tivesse uma visão estereotipada do índio. Recordo-me dos anos do Ensino Fundamental, quando em ocasião do Dia do Índio a professora nos pintava a todos, meninos e meninas, com duas linhas vermelhas em cada bochecha e nos colocava uma tiara de cartolina com uma pena sobre a testa.
_ Que indiozinhos bonitinhos! – Exclamava ela reproduzindo o estereótipo e preparando mais uma geração alienada enquanto a existência das minorias. – Como os índios fazem?
E todas as crianças contentes a pular imitavam os índios caricatos da TV. Os telejornais também não contribuíram muito para que eu pudesse construir outra visão a respeito dos índios do Brasil e os de Pernambuco, estes desconhecidos até mesmo durante todo o Ensino Médio. Durante a comemoração do Brasil 500, uma campanha da rede Globo de televisão em comemoração aos 500 anos do Brasil em 2000, o Jornal Nacional exibiu um protesto dos índios para “atrapalhar” os eventos organizados em Brasília. Não teriam eles o direito de reclamar dos 500 anos de ocupação, perseguição, violência e extermínio perpetrados contra eles desde a chegada dos portugueses?
A minha visão a respeito dos povos indígenas só viria mudar após a Faculdade, quando comecei a lecionar. Não pela letra impressa, mas pelo contato com o povo Xukuru. O primeiro foi por meio da Diocese de Pesqueira, acompanhando o Pe. Francisco Bispo – hoje no CIMI – à aldeia Cajueiro. Ele me apresentava a realidade do povo à caminho de mais uma celebração. Eu coletava dados para um artigo. Fiquei intrigado com o sincretismo religioso na serra do Ororubá, onde os índios rezavam para a aparição de Nossa Senhora das Graças no Sítio Guarda e para Nossa Senhora das Montanhas, Mãe Tamain, encontrada num tronco de árvore e ao redor do qual teria sido construída a Igreja da Vila de Cimbres. Ali eu ainda não conhecia a luta, estava intrigado pela fé, obcecado com a construção do artigo sobre religiosidade.
Na pesquisa li sobre o cacique Xicão Xukuru, sua luta na retomada das terras, sua participação na construção da Constituição de 1988 e o seu assassinato. Li como um pesquisador, buscando a falsa neutralidade científica que ainda hoje é defendida por alguns acadêmicos, e, por isso, não busquei o envolvimento.
Durante as Santas Missões Populares conheci aquela que me faria enxergar o que até então me recusava a ver. O real contato com o povo Xukuru foi inevitável. Participar de suas festas, de suas manifestações religiosas, dançar o toré, tudo isso me fez comungar de parte da sua luta. Ao ouvir o povo, conhecer sua realidade, conversar com pessoas que participaram da retomada, percebi então que algo maior os une. Não é apenas a terra nem o fato de dividirem o mesmo espaço. O sangue dos mártires, as forças da natureza e dos encantados, o sangue nativo, tudo isso e a presença imaterial do grande cacique Xicão que continua vivo na lembrança coletiva do povo mantém acesa a esperança e o orgulho de ser índio.
Na busca da lenha, uma das festas dos Xukuru, a tradição e a fé se encontram. Assim como os índios saí da Vila de Cimbres e caminhei até a mata para recolher a lenha que serviria para formar uma enorme fogueira. Velhos  e crianças caminham quilômetros com um sorriso estampado, muitos estão pintados, usam colares, cocares ou barretinas, estão sendo índios, cumprindo com os rituais.
Dançando o toré e cantando eles evocam a força da coletividade presente na natureza e agradecem a Deus, o nosso pai Tupã: “Obrigado Senhor meu Rei, Senhor meu Rei de Ororubá, pela força e a coragem meus irmãos para lutar”.
E Deus tem atendido aos Xukuru. Eles resistem bravamente contra a criminalização de suas lideranças, o preconceito contra os seus costumes e as tentativas de esmagarem sua cultura. O bem viver que norteia as políticas do povo podem servir de exemplo para muitas comunidades.
Na busca da lenha pude contribuir com um pouco de madeira para a enorme fogueira acesa nas noites de São João. Mas não basta colocar lenha, é preciso ajudar para que a chama da liberdade, da igualdade e do respeito arda e aqueça e ilumine a todos. Quando perguntei a Senhora Birunda como alguém se tornava índio ela foi enfática: “Todos somos índios, senão no sangue somos no coração”.  
Aprendamos com os Xukuru. Nas palavras de Xicão: “Em cima do medo, coragem!” “E diga ao povo que avance!”
Professor Emerson Luiz.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Reduto indígena do Nordeste

do jornal do commercio ON LINE

DIA DO ÍNDIO

Censo revela que Pesqueira, Agreste, tem 9.335 descendentes dos primeiros povos brasileiros, a maior população da região

Publicado em 19/04/2012, às 08h28

Carlos Eduardo Santos

Marcos Xucuru diz que há mais índios no local / Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Marcos Xucuru diz que há mais índios no local

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

No Dia do Índio, comemorado nesta quinta-feira em todo o Brasil, a cidade de Pesqueira, no Agreste pernambucano, se consolida como o maior reduto indígena do Nordeste. São 9.335 índios que residem no município, segundo o Censo 2010 sobre a População Indígena no País, divulgado ontem. Os dados mostram que a população de índios em Pesqueira aumentou aproximadamente 280% em dez anos. No Censo 2000, esse número só chegou a 2.455.

O IBGE, índios e um historiador especialista em demografia indígena concordam em relação aos motivos para o crescimento acelerado. Entre eles, estão a demarcação do território, homologado em 2001, o retorno de índios que residiam no Sudeste à terra de origem e o aprimoramento das formas de identificação de indígenas.

No ranking do Nordeste, Pesqueira é seguida por Salvador, capital baiana, e Marcação, na Paraíba. Entre as dez cidades nordestinas com mais índios, ainda aparece a pernambucana Tacaratu, na 9ª colocação, com 4.095 indígenas. Um fato curioso é que dos 184 municípios de Pernambuco só 19 deles, segundo o Censo 2010, não apresentam índios.

Na lista dos Estados, Pernambuco aparece em quarto lugar do Brasil e segundo do Nordeste, com 53.284, perdendo apenas para a Bahia na região. De acordo com Nilton Nadai, chefe da unidade do IBGE no Estado, o aumento da autodeclaração é um fator importante no crescimento da população indígena em Pesqueira. "Antes, os índios podiam ser registrados como pardos, mas agora há investigação sobre a raça e a origem", explicou.

O historiador Edmundo Monte ressalta que a violência no início da década de 2000 pode ter levado muitas pessoas a não se considerar índio, por medo. "Ocorreram muitos assassinatos de índios nessa época, como o do cacique Chicão, no fim da década de 1990. Também tem a questão da homologação das terras indígenas em 2001 e o retorno de muitos índios que moravam no Sudeste", ressaltou.

Para o cacique Marcos Luidson Araújo, da etnia Xucuru, que se concentra em Pesqueira, não é surpresa que a cidade apareça entre as que mais têm índios do Nordeste. "Só não sabia que estávamos em primeiro lugar. E o nosso censo mostra um total de 11,2 mil xucurus em Pesqueira", contesta o cacique.

ÍNDIOS NO BRASIL - Pelo Censo 2010 sobre a População Indígena, 817 mil pessoas se autodeclararam índios no Brasil, o que representa 0,4% da população total. Não foram alvo da pesquisa os povos indígenas brasileiros considerados índios isolados. Pela própria política de contato, não foram entrevistados, segundo o IBGE.

De acordo com o Censo, entre 1991 e 2010, a população indígena se expandiu de 34,5% para 80,5% dos municípios do País. Os dados divulgados ontem mostram que o Nordeste assumiu, no lugar do Sudeste, o posto de região com mais índios residindo em área urbana.

O Amazonas continua sendo o Estado com mais índios do Brasil. No ranking das dez cidades brasileiras com mais índios, seis delas são amazonenses. O município com maior população indígena do País é de lá, São Gabriel da Cachoeira, com 29 mil indígenas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

TRF da 5ª Região adia julgamento do caso de 35 lideranças do povo Xukuru do Ororubá



Reproduzo notícia que recebi por e-mail do Coordenador do Conselho Indigenista Missionário do Nordeste- CIMI/ NE o Padre Francisco Bispo, filho da cidade de Venturosa.
Assim como ele tenho um profundo apreço e me identifico com os valores defendidos pelas comunidades indígenas, em especial com o povo Xukuru do Ororubá. O povo Xukuru acolheu-me com simplicidade e carinho. Como uma vez disse-me uma senhora: "De alguma forma todos somos índios". Conheci o Cacique Marquinhos e vi de perto a luta de muitas dessas pessoas para manter viva sua cultura, sua fé e sua tradição. 
A foto que reproduzo aqui nada tem a ver com a matéria que se segue. Ela mostra dois guerreiros do povo. Dois homens que foram e continuam sendo perseguidos pelos poderosos, mas que mesmo assim, continuam a dedicar sua vida por aquilo que acreditam. Força povo Xukuru! O inimigo é forte e mais forte são aqueles que se unem por um ideal.



Subprocuradora da República pede para que desembargadores do TRF-5, com sede em Recife (PE), façam justiça

Renato Santana
de Brasília

Na próxima quinta-feira, 15, os desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, sediada em Recife (PE), julgam o Recurso de Apelação de 35 lideranças do povo Xukuru do Ororubá, condenadas pela Justiça Federal de Pernambuco a penas que variam entre 10 e 13 anos.

Os indígenas são acusados de praticar, em fevereiro de 2003, crimes contra o patrimônio de fazendeiros invasores e demais ocupantes da terra indígena Xukuru, localizada na Serra do Ororubá, município de Pesqueira, Vale do Ipojuca, agreste pernambucano.
 Depois de atentado sofrido pelo cacique Marcos Xukuru, que culminou no assassinato de dois indígenas que o escoltavam, a comunidade se rebelou e decidiu retirar da terra indígena – já homologada pela Presidência da República desde 2001 – os invasores.

As vítimas foram parar no banco dos réus, posto que um dos fazendeiros envolvidos no atentado sequer foi denunciado no processo referente aos indígenas mortos.
 “Eu espero que seja feita justiça. As investigações feitas sobre o caso deixaram de considerar vários depoimentos, sobretudo os fatos que vitimaram o cacique Marcos, estopim para os eventos seguintes. Espero que os indígenas não sejam punidos, quando são vítimas”, declara a Subprocuradora Geral da República, Raquel Dodge.

Depoimentos não incluídos

Os depoimentos dos quais a Subprocuradora se refere foram os colhidos por ela, o então ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Nilmário Miranda e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) à época, Eduardo Almeida. Logo que o conflito estourou, as três autoridades se dirigiram para a terra indígena.

Raquel lembra que naquele dia eles visitaram o cacique Marcos, “muito machucado e sedado por uns medicamentos para controlar infecções”; se dirigiram até a Vila de Cimbres, palco do conflito, e na sequência foram conversar com o delegado de Pesqueira, que ia começar as primeiras oitivas, mas desistiu.

“Então Nilmário, o presidente da Funai e eu decidimos colher os depoimentos. Começamos às 22 horas e acabamos no dia seguinte, por volta das 6 horas da manhã. Depois uma comissão foi designada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos”, explica a Subprocuradora.

A questão é que nenhum destes depoimentos – “das testemunhas oculares” - foram considerados pela Justiça Federal. “O que eu espero é que os desembargadores façam justiça e examinem se as provas entregadas foram completas e revelam os meandros do episódio”, pede Raquel Dodge.

Processo de criminalização

Para os demais povos indígenas, que encaminharam um abaixo-assinado para os desembargadores do TRF-5 pedindo a inocência de seus parentes, e organizações indigenistas, trata-se de mais um processo de criminalização contra lideranças que lutam com as comunidades pelo território tradicional.

“O próprio cacique Marcos foi vítima da emboscada e agora ele e as demais lideranças Xukuru não podem ser vitimizados, novamente. Até hoje o cacique vive sob proteção policial por conta da luta pela terra”, afirma o secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cleber Buzatto.

Cinco anos antes do atentado sofrido pelo cacique Marcos e a consequente reação da comunidade, o cacique Xikão Xukuru tinha sido assassinado por pistoleiros dentro da cidade de Pesqueira. Os mandantes do crime e os pistoleiros contratados para o serviço nunca foram presos. Durante o enterro da liderança, Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente e o caso teve repercussão nacional.

De acordo com o Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), João Pacheco, também professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há uma luta histórica dos Xukuru na demarcação das terras e a reação de integrantes da elite agrária. “Existe um esforço grande dos poderes que são contrariados às demarcações em criar acusações, criminalizações. Os líderes, portanto, são transformados em criminosos”, afirma.

O antropólogo, com inúmeras pesquisas e publicações sobre os povos indígenas do Nordeste brasileiro, acredita que existe uma tendência nociva em criminalizar a luta pelos direitos, atribuindo-a a atos de malfeitores. “É preciso ser claramente discernido um ato de vandalismo e atentado contra o patrimônio individual do ato que é praticado no sentido de garantir direitos coletivos, caso dos Xukuru. Dizemos aos juízes que não tem relação com atos de vandalismo, mas sim com garantia de direitos”, declara.

Pacheco acredita que a condenação dos Xukuru é exemplo de subversão da história, “que não podemos aceitar”, frisa. Além disso, juízes ou desembargadores precisam ter cuidado ao julgar episódios que envolvem comunidades e situações de complexidade ímpar. “Não é uma composição homogênea. São comunidades que tiveram relações com populações de quilombos e regionais no decorrer dos séculos”, diz.

O antropólogo explica que são histórias de povos fincadas em processos de diásporas, refúgios de pessoas ameaçadas, que tiveram suas terras roubadas e foram morar na terra de outros. “Então é inaceitável quando as lideranças são criminalizadas lutando por direitos da coletividade. A ABA é totalmente solidária aos Xukuru”.

Histórico

Em 7 de fevereiro de 2003, o cacique Marcos trafegava pela estrada que corta o território Xukuru. Ameaçado de morte, o cacique andava sempre com outros indígenas o escoltando. Xikão Xukuru, pai de Marcos, tinha sido assassinado em 1998, também como resultado da luta que travava pela terra dos Xukuru.

O sangue derramado de Xikão não foi em vão e durante o ano de 2001 o governo federal homologou a terra dos Xukuru. Entre ela estava a Vila de Cimbres, roubada dos índios há 300 anos e para onde cacique Marcos e os outros indígenas se dirigiam quando foram atacados de surpresa por quatro homens. Nela e em outros pontos ainda viviam invasores não-índios.

Dois indígenas que faziam a escolta do cacique foram executados, um jovem de 12 anos conseguiu fugir, assim como o próprio cacique, que mergulhou por cima de uma cerca e correu agreste adentro, cortando-se na vegetação espinhosa. Ficou desaparecido durante uma hora, tempo usado pelo jovem para avisar os demais indígenas.

Sem saber se o cacique estava vivo ou morto, a comunidade se rebelou. Mesmo contidos pelas lideranças, que aguardavam o processo de extrusão dos invasores a ser feito Fundação Nacional do Índio (Funai), os Xukuru, indignados, partiram para a Vila de Cimbres e lá retiraram todos os ocupantes não-indígenas. Esse conflito acabou sendo usado para incriminar as lideranças Xukuru, acusando-os de terem manipulado o atentado ao cacique para que a retomada da área fosse feita.

Renato Santana
Jornalista - Cimi