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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Para Aqueles que Confundem o Poder que Lhes foi dado com o poder que é seu.



É um desafio constante,
talvez o maior pelos heróis já vivido,
o de deixar de lado o orgulho e a vontade
e fazer o que de nós é exigido.


Abandonar do ego a ambição
e lutar pelo triunfo da verdade
deixar o pódio e a coroa de campeão
e defender o direito da coletividade.


Abandonar os aplausos
e todas as falsas honrarias
desagradar ricos e poderosos
e defender o direito das minorias.


Se um povo você representa
aprendes que ele não te quer como rei
se o povo você representa
a vontade dele sempre será tua lei!

sábado, 28 de maio de 2011

Meu coração por ti desafina - Emerson Luiz


Meu coração
No peito faz orquestra
Tocando até seresta
Com grande emoção

No tum de entrada
Ao tum da saída
Cada batida compassada
Divinamente ritmada

O maestro do meu peito
Regula até a respiração
Tum-tum-tum é enredo,
Samba e canção

Tum-tum-tum
Dá uma valsa
Lambada, tango,
Forró e até salsa

Mas quando você passa
O tum-tum-tum
Fica doido, desconpassa
A as vezes dá só dois tum

Um tum-tum
Descompasso de emoção
E as vezes um tuum demorado
Dando rima a tanto ão

E é você moça bonita
que quando passa no calçadão
seja noite ou seja dia
que descompassa os tuns do coração

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Canção do exílio

Estrada do Sítio Goiabeira - Venturosa - PE
 

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


De Primeiros cantos (1847)
Gonçalves Dia

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A lição do principezinho

Não recordo o dia
Tão pouco a hora
Que ele surgiu
Sorriso claro d’aurora

Eu a martelar o cansaço
Um mundo motor
Ele a vislumbrar encantado
Com olhos de amor

Eu preocupado,
Trabalho e labuta,
Para ganhar o pão.

O menino ensinou-me
O essencial aos olhos não é visível
Deve-se ver com o coração


Então dedico essas rimas
A quem quiser aceitar
Na vida só se conquista
O que aprendemos a cativar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Aqueles que virão depois de mim

Gostaria de deixar como testamento
A todos os que virão depois de mim
O brilho das estrelas, as gotas de orvalho,
Os primeiros raios de sol do amanhecer.

Quisera poder legar o firmamento
Um sentimento puro, talvez sem fim
O fruto justo pelo seu trabalho
E a esperança da vida ao nascer

Mas deixo sem contentamento
A cobiça pela prata, ouro e marfim.
Uns que comem sobre carvalho
Enquanto outros de fome vão morrer

Mas também lego o pensamento
Dos que vieram antes de mim
A fé que resiste ao terreno erário
Essa é a esperança nos fará vencer.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

E SE DISSESSE QUE TE AMO?

As vezes fico pensando:


E se dissesse que te amo?

Você poderia sorrir,

Dizer que sempre esperou

Que sabia em seu coração

E seríamos felizes a vida inteira.

Mas, e se dissesse que te amo?

Você poderia ficar surpresa,

Dizer que não sabia como reagir

E isso me traria tristeza.

Mas, e se dissesse que te amo?

Você poderia pedir desculpas

Dizer que confundi o sentimento

Que não era sua intenção

E isso sem dúvida

Partiria meu coração.

Então prefiro o silencio

De minha própria rejeição

A dizer que te amo

Conhecer a verdade

E não poder mais manter minha ilusão.

sábado, 19 de dezembro de 2009

UM PONTO FINAL




Tivemos nosso tempo
Nosso momento na história
Um amor que podia ter nascido
Hoje só existe na memória

Dois corações num momento
Passos dados rumo ao firmamento
Coisas que ficaram para trás
Não há como recuperar o tempo
E certas coisas não voltam jamais

A vida nos da o direito
Da escolha de cada dia
Não impõe sabedoria
Nem avisa o defeito
De quem se dedica ao imperfeito

Então há quem confunda
Libertário e libertino
E num momento repentino
Escolha o que faz mal
Querendo o prazer que abunda

Escolhas feitas
Caminho traçado
Cristal quebrado
E alianças desfeitas
Nada disso é consertado

Segue teu caminho
Não implore meu carinho
Você fez o seu destino
cada degrau dele foi por ti galgado
E eu, por mais que você lamente, faço parte do passado.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ETERNAMENTE VINICIUS

A carta que não foi mandada

Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais

Vinicius de Moraes