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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

VENTUROSA E MAIS NOVE CIDADES DO AGRESTE RECEBERÃO CISTERNAS CALÇADÃO QUE BENEFICIARÃO 7 MIL FAMÍLIAS

Foi assinada, nessa sexta-feira (09), a ordem de serviço para a construção de 1.650 cisternas calçadão em dez cidades do Agreste Pernambucano (Capoeiras, Lagoa do Ouro, Tupanatinga, Caetés, Iati, Poção, Venturosa, Canhotinho, Jucati e Saloá). O contrato, assinado pela Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária do Estado (Sara) e pela Cáritas Diocesana (Pesqueira) tem valor de R$ 18,5 milhões. As obras integram um grande pacote de ações para o equilíbrio hídrico de pequenos agricultores de 13 cidades do Semiárido pernambucano e contempla a construção de 7.500 cisternas, beneficiando mais de 7 mil famílias. Até dezembro deste ano, com a entrega de todo o projeto, serão gastos cerca de R$ 40 milhões, orçamento de parceria entre governo de Pernambuco e Ministério de Desenvolvimento Social.

A capacidade de armazenamento de água é de 52 mil litros por cada cisterna construída, a ser captada da chuva por meio do calçadão (bloco de 200 metros quadrados de cimento com canos e inclinação que levam a água para a grande cisterna por gravidade).

Informações do Diário de Pernambuco

domingo, 3 de março de 2013

Crônica - Paisagens da Seca




Foi na estrada que o encontrei.

Retornando a cidade de Pesqueira pela BR 232 deixei meus olhos se perderem na paisagem. A seca castiga a todos com furor. Do interior do veículo em que me encontrava com minha esposa e mais seis passageiros, avistei o solo árido e sem vida, a caatinga tortuosa a anunciar que para passar por esses dias os homens e os animais devem ser tão fortes quanto ela, guardar o seu melhor em seu interior e resistir a crueldade imposta pelo calor, pela falta d’água e pelos parasitas da estiagem.

O carro pipa reina absoluto. Políticos e lideranças procuram ajudar os outros na medida que essas atitudes os ajudam a serem lembrados e valorizados. Os jornais dão mais visibilidade a copa do mundo e o crescimento econômico que ao drama do Nordeste. Essa semana o corte de cabelo de Neymar ganhou mais destaque que o rebanho dizimado, as barragens secas e o sofrimento de milhares de famílias.

Marina Silva está criando um novo partido. Eduardo Campos está ampliando seu partido. Lula e Dilma celebram o governo do seu partido e nosso entendimento continua partido. Mendigamos o que deveria ser nosso direito sagrado e inalienável: viver com dignidade!

A indústria de seca alimenta os urubus. Sejam os que voam e devoram a carniça magra dos animais caídos na beira das estradas, sejam os que lucram com a miséria do povo e rezam para que a chuva se demore mais um pouco. Afinal, um povo mantido na miséria é passível de ser explorado, alienado e facilmente controlado.

E enquanto procurava vislumbrar o horizonte ele me encontrou. Mesmo que não tenha tido consciência do nosso encontro, sua imagem me acompanhou durante toda a semana e ainda se faz presente enquanto escrevo. Um velho senhor, sentado numa colcheia vazia, no centro de um curral sem rebanho. De cabeça baixa ele alisava os tijolos como quem lamenta pela saudade que corrói o coração e tira toda a esperança. Ali antes havia um rebanho, o fruto do trabalho de uma vida. Agora havia apenas a lembrança. O que ele estaria pensando? Qual súplica silenciosa seu coração fazia ao criador? Nunca saberei.

A única coisa que posso saber é que a seca nunca nos abandonará. A estiagem passará, a chuva mais cedo ou mais tarde irá encher nossos reservatórios e colorir de verde nossas serras, brejos, ribeiras e com isso irá pintar as cores da alegria em nossas faces uma vez mais. Mas ela irá retornar, como tem feito desde que o Nordeste é Nordeste e o Sertão é Sertão.

Gostaria de dizer que não mais verei homens naquela situação. Mas para isso é necessário muito mais que uma vontade individual. É necessário que aprendamos a conviver em harmonia com a Mãe Terra. Que respeitemos seus limites, que prezemos pelo bem-viver e que o desejo pela qualidade de vida supere o desejo de ter e consumir sem medidas. É necessário preservar nascentes, cuidar da nossa casa-planeta e combater os parasitas. Os que voam, os que andam e os que se arvoram em líderes e privam da vida e acabam com os sonhos.

Emerson Luiz

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Prefeitura de Venturosa inicia ampliação de barragem





A antiga barragem que antes pertencia ao Sr. Nezinho, localizada próxima ao Parque de Exposição Ormindo Tenório de Siqueira, está sendo ampliada. A barragem sempre serviu a população local e estava em péssimo estado. A iniciativa do poder municipal está ampliando sua capacidade e ela poderá atender a um número maior de pessoas por um espaço de tempo bem mais longo.

Com as obras concluídas tudo o que se pode fazer é rezar pelas chuvas que até agora não chegaram.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Abastecimento de Água em Venturosa pode ser suspenso em breve.





    Segundo informações recentes a água da barragem da Ingazeira (Venturosa - PE) foi analisada e mais uma vez chegou a níveis impróprios para o consumo humano. O risco de transmissão de doenças por meio de bactérias ameça a suspensão do fornecimento de água da cidade pela Compesa. 
A cidade já sofre a meses com a escassez de água provocada pela longa estiagem. Desde maio deste ano o blog do professor Emerson Luiz já alertava para o drama enfrentado pela população de Venturosa, principalmente das áreas rurais que a essa época já eram abastecidos por carros-pipas. De acordo com declarações o abastecimento de água pode ser suspenso no final deste mês de novembro. Em teoria a barragem - única fonte de água do município - ainda suportaria quatro meses de estiagem, mas o nível de bactérias e toxinas teria atingido um nível crítico.
A Ingazeira projetada para comportar 4.800.000m3 de água, mas vem sofrendo há anos com as falhas humanas. A rede de esgoto da cidade é lançada no curso dos seus afluentes, além da mesma receber parte da água de um açude - totalmente poluído - na época das chuvas. Em relatório do IBGE publicado em 2008 já apontava para o assoreamento dos cursos de água e a constante poluição da água no município de Venturosa. Para piorar ainda mais a situação parte da rede de esgotos da Vila próxima a barragem é lançada dentro dela.



O descaso de sucessivos governos, a conivência de boa parte da população e o histórico das estiagens do Nordeste hoje compõe um quadro crítico que atinge a todos os venturosenses. Esse quadro só poderá ser superado com a chegada das chuvas - que segundo os meteorologistas continuaram escassas no ano de 2013. - mas, como é comum ao forte homem do Nordeste, colocaremos nossa fé em Deus, este que nunca abandona o seu povo.

Mas que este quadro sirva para alertar nossas autoridades e os populares a elaborar e exigir políticas públicas para combater o assoreamento dos cursos de água  e rios, a revitalização de suas margens, o reordenamento das redes de esgoto e uma nova postura diante dos nossos recursos naturais. Como dizem os indianos:

"Só reconhecemos o valor da água quando a fonte seca".

Emerson Luiz



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Histórico das Secas em Pernambuco


Matéria originária do site Pernambuco de A a Z


O estado de Pernambuco tem 70% do seu território localizado no semi-árido nordestino, área também denominada de Polígono das Secas. Como qualquer outra região semi-árida do mundo, o Nordeste brasileiro sempre estará sujeito a secas periódicas. Isto porque uma das características naturais desse tipo de região é ter chuvas irregulares e mal distribuídas geograficamente. 


A primeira seca de que se tem notícia no Nordeste aconteceu entre 1580 e 1583, sendo que o estado mais atingido foi Pernambuco. Naquela ocasião, os engenhos da Província não moeram, as fazendas ficaram sem água e cerca de cinco mil índios desceram o Sertão em busca de comida. 

Até hoje, a seca considerada mais arrasadora foi a ocorrida em 1877, que durou três anos e atingiu todos os estados do Nordeste. Durante essa estiagem, calcula-se que morreram 500 mil pessoas, o equivalente à metade da população do semi-árido. Foi nessa época que o problema das secas no Nordeste passou a ser considerado de âmbito nacional. 

Criou-se uma Comissão Imperial cujos membros, depois de percorrerem a região afetada, sugeriram as seguintes medidas para amenizar a calamidade: construção de três ferrovias e de trinta açudes, instalação de observatórios meteorológicos e abertura de um canal para levar água do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, no Ceará. Mas, de todas essas medidas, apenas um açude (o Quixadá, no Ceará) foi construído. As obras desse açude ficaram dois anos paralisadas e só foram concluídas em 1906. 

A mais prolongada e abrangente seca nordestina até o momento foi a de 1979: durou cinco anos e atingiu até mesmo regiões nunca afetadas anteriormente, como a Pré-Amazônia Maranhense e grande parte das zonas da Mata e Litoral do Nordeste. Pela primeira vez, a estiagem avançava além do Polígono das Secas. 

Foi atingida uma área total de 1,4 milhão de km2, quase todo o Nordeste. Calcula-se que, durante essa seca, morreram três milhões de nordestinos, principalmente crianças desnutridas. O governo federal criou um "programa de emergência" que consistia na liberação de recursos para pagar um salário aos agricultores que passaram a trabalhar na construção de obras na região. 

Obras que, teoricamente, poderiam amenizar os efeitos da próxima estiagem: pequenos açudes, cacimbas, poços etc. O programa de emergência chegou a ter 1,4 milhão de nordestinos alistados e as obras ou foram abandonadas pela metade ou se mostraram ineficientes, porque não tiveram nenhum planejamento técnico; constituíam apenas uma ocupação para os agricultores flagelados pela seca. 

Agricultores durante alistamento para trabalhar nas frentes de emergência.


Nessa mesma ocasião, o governo federal também anunciou grandes obras para o Nordeste (como, por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco), mas as obras nem sempre são concretizadas.

Veja, a seguir, a cronologia das secas em Pernambuco e no Nordeste brasileiro: 


1583/1585 - Primeira notícia sobre seca, relatada pelo padre Fernão Cardin, que atravessou o sertão da Bahia para Pernambuco. Relata que houve "uma grande seca e esterilidade na província e cinco mil índios desceram o sertão apertados pela fome socorrendo-se aos brancos". As fazendas de canaviais e mandioca deixaram de produzir. 

1606 - Nova seca atinge o Nordeste. 

1615 - Seca de razoável proporção. 

1652 - Seca atinge o Nordeste. 

1692/1693 - Uma grande seca atinge o sertão sanfranciscano. A peste assola na capitania de Pernambuco. Segundo o historiador Frei Vicente do Salvador, os indígenas, foragidos pelas serras, reúnem-se em numerosos grupos e avançam sobre as fazendas das ribeiras, destruindo tudo. 

1709/1711 - Grande seca atinge o Nordeste, estendendo-se até a Capitania do Maranhão, espalhando fome entre seus habitantes. 

1720/1721 - Seca atinge as províncias do Ceará e do Rio Grande do Norte. Pernambuco não sofreu grandes efeitos. 

1723/1727 - Grande seca, os engenhos ficam em ruínas e, como relata Irineu Pinto, "os fiscais da Câmara pedem a El-Rey que os mande acudir com escravos pois os daqui têm morrido de fome". 

1736/1737 - Outra seca atinge o Nordeste, causando prejuízos à região. 

1744/1745 - Seca provoca morte do gado e fome entre a população nordestina. Alguns historiadores afirmam que crianças que já andavam, de tão desnutridas, voltaram a engatinhar. 

1748/1751 - Grande seca atinge a região. 

1776/1778 - Um das mais graves secas até então. Não apenas pela falta de chuva, mas por coincidir com um surto de varíola iniciado no ano anterior e que se prolongaria até 1778, provocando grande mortandade. Quase todo o gado bovino ficou perdido na caatinga. A Corte Portuguesa determina que os flagelados fossem reunidos em povoações de mais de 500 fogos, nas margens dos rios, repartindo-se entre elas as terras adjacentes. 

1782 - É realizado um censo para determinar a população das áreas sujeitas a estiagens e o resultado aponta 137.688 habitantes. 

1790/1793 - Uma seca transforma homens, mulheres e meninos em pedintes. É criada a Pia Sociedade Agrícola, primeira organização de caráter administrativo, cujo objetivo foi dar assistências aos flagelados. 

1808/1809 - Seca parcial atingindo Pernambuco, na região do São Francisco. Notícias dão conta de aproximadamente 500 mortos, por falta de comida. 

1824/1825 - Aliada à varíola, grande seca faz muitas vítimas na região. Os campos ficam esterilizados e a fome chega até os engenhos de cana-de-açúcar. 

1831 - A Regência Trina autoriza a abertura de "fontes artesianas profundas, como forma de resolver o problema da falta d'água". 

1833/1835 - Grande seca atinge apenas Pernambuco. 

1844/1846 - Seca de grandes proporções provoca o marte do gado e espalha fome entre os nordestinos. Um saco de farinha de mandioca era trocado por ouro ou prata. 

1877/1879 - Uma das mais graves secas que atingiram todo o Nordeste. O Ceará, por exemplo, tinha ,à época, uma população de 800 mil habitantes. Destes, 120 mil (ou 15%) emigraram para a Amazônia e outras 68 mil pessoas foram para outros estados. 

1888/1889 - Grande seca atinge Pernambuco e Paraíba, deixando destruição de lavouras e vilas abandonadas. 

1898/1900 - Outra grande seca atinge somente o estado de Pernambuco. 

1903/1904 - Flagelados por nova seca, milhares de nordestinos abandonam a região, Passa a constar da Lei de Orçamento da República uma parcela destinada às obras contra as secas. Criam-se três comissões para analisar o problema das secas nordestinas; 

1908/1909 - Seca atinge principalmente o sertão de Pernambuco. Em 1909 é criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS). 

1910 - São instaladas124 estações pluviométricas no semi-árido nordestino. Até então, tinham-se construídos 2.311 açudes particulares na Paraíba e 1.086 no Rio Grande do Norte. 

1914/1915 - Seca de grande intensidade em toda região semi-árida nordestina. 

Retirantes cearenses abandonam seu Estado depois que a seca de 1915 atingiu todo o Nordeste brasileiro.


1919/1921 - Em conseqüências dos efeitos dessa seca (que teve grandes proporções, sobretudo no sertão pernambucano), cresce o êxodo rural no Nordeste. A imprensa, a opinião pública e o Congresso Nacional exigem atuação do governo. É criada, em 1920, a Caixa Especial de Obras de Irrigação de Terras Cultiváveis do Nordeste Brasileiro, mantida com 2% da receita tributária anual da União, além de outros recursos. Mas, praticamente nada é feito para amenizar o drama das secas. 

1932 - Grande seca no Nordeste. 

1945 - Mais uma seca atinge o Nordeste. É criado o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) que passa a desempenhar as tarefas antes atribuídas à Inspetorial Federal de Obras Contra as Secas, criada em 1919. 

1951/1953 - Grande seca atinge todo o Nordeste. 

1953 - Outra grande seca no Nordeste. O DNOCS propõe um trabalho de educação entre os agricultores, com objetivo de criar núcleos de irrigação. 

1956 - Criação do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), encarregado de elaborar uma política de desenvolvimento para a região. 

1959 - Criação da Sudene. 

1966 - Seca atinge parcialmente o Nordeste. 

População pernambucana abastecida pelo carro-pipa.


1970 - Grande seca atinge todo o Nordeste, deixando como única alternativa para 1,8 milhão de nordestinos o engajamento nas chamadas "frentes de emergência", mantidas pelo governo federal. 

1979/1984 - A mais prolongada e abrangente seca da história do Nordeste. Atingiu toda a região, deixando um rastro de miséria e fome em todos os Estados. No período não se colheu lavoura nenhuma numa área de quase 1,5 milhão de km2. Só no Ceará foi registrada mais de uma centena de saques, quando legiões de trabalhadores famintos invadiram cidades e arrancaram alimentos à força em feiras-livres ou armazéns. 

Segundo dados da Sudene, entre 1979/1984 morreram na região 3,5 milhões de pessoas, a maioria crianças, por fome e enfermidades derivadas da desnutrição. pesquisa da Unesco apontou que 62% das crianças nordestinas , de zero a cinco anos, na zona rural, viviam em estado de desnutrição aguda. As frentes de emergência empregaram 26,6 milhões de trabalhadores rurais e os gastos do governo federal com a seca, entre 1979/1982, somaram 4 (quatro) trilhões de cruzeiros, o equivalente à época a 50% dos dispêndios totais do Ministério do Interior. 

Seca na mídia nacional brasileira.


1993 - Grande seca atinge todos os Estados do Nordeste e mais parte da região norte de Minas Gerais. Só no Nordeste, de acordo com dados da então Sudene (hoje, Adene), um total de 1.857.655 trabalhadores rurais que perderam suas lavouras foram alistados nas chamadas "frentes de emergência". Pernambuco foi o Estado que teve o segundo maior número de agricultores alistados nessas frentes, com 334.765 pessoas, perdendo apenas para a Bahia (369 mil trabalhadores alistados). 

As perdas de safras foram totais, em todos os Estados Nordestinos. Na época, a imprensa recifense publicou reportagem segundo a qual dezenas de obras de combate às secas, iniciadas e abandonadas pelo governo federal antes da conclusão, já haviam provocado, entre 1978/1993, prejuízos de CR$ 6,7 trilhões. O escândalo das obras inacabadas deu origem até mesmo a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, no Congresso Nacional, para apurar responsabilidades. 

1998 - No final do mês de abril, vêm à tona, mais uma vez, os efeitos de uma nova seca no Nordeste: população faminta promovendo saques a depósitos de alimentos e feiras livres, animais morrendo e lavoura perdida. Exceto o Maranhão, todos os outros Estados do Nordeste são atingidos, num total de cerca de cinco milhões de pessoas afetadas. Esta seca estava prevista há mais de um ano, em decorrência do fenômeno El Niño, mas, como das vezes anteriores, nada foi feito para amenizar os efeitos da catástrofe. 

Sem pasto, o gado magro é retirado das regiões atingidas pelas secas.


Somente depois que a imprensa e a televisão mostraram famílias inteiras passando fome e rezando pedindo chuva é que o governo federal anunciou um programa de emergência, através do qual passou a distribuir cestas básicas de alimentos (10 kg por família) aos flagelados. Tudo aconteceu no momento em que os representantes do governo se orgulhavam pelo fato de o Brasil assumir posição destacada na "moderna era da economia globalizada". O programa de assistência às populações atingidas causou bate-boca, porque 1998 era um ano eleitoral, inclusive com eleições para a presidência da República, e a distribuição dos alimentos estaria obedecendo critérios eleitoreiros. 

Representantes da Igreja Católica chegaram, inclusive, a denunciar que os governos (federal, estaduais e municipais) não tinham nenhum interesse em resolver o problema das secas no Nordeste "porque, com a fome, a compra de votos fica mais fácil". 
Além dos problemas na zona rural e no interior do estado, a falta de chuva fez com que Pernambuco vivesse, entre 1998/1999, o pior racionamento de água de toda a sua história, do sertão ao litoral: a região metropolitana, inclusive o Recife, passou a receber água encanada apenas uma vez por semana; a maior cidade do agreste, Caruaru, só tinha água nas torneiras uma vez por mês e dezenas de municípios sertanejos ficaram meses totalmente dependentes de carros-pipa. 

2001 - Praticamente um prolongamento da seca iniciada em 1998 (que se estendeu por 1999 e apenas deu uma trégua em 2000), a seca de 2001 teve uma particularidade a mais, em relação às anteriores: ocorreu no momento em que não só o Nordeste, mas todo o Brasil vivia uma crise de energia elétrica sem precedentes em todo a história do País, provocada por falta de investimentos no setor e pela escassez de chuvas. Daí, o nordestino desabafar: "Agora é sem água e sem luz!" 

Em Pernambuco, no início do inverno ocorreram algumas chuvas e, animados, os agricultores se puseram a plantar. Mas, logo as chuvas escassearam e, em abril, já se registrava uma "seca verde" em todo o sertão do Estado. A situação foi-se agravando e, em junho, as populações do interior pernambucano já viviam o velho e conhecido drama de dependerem da ajuda do governo.


Os açudes viram terra rachada.