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sábado, 4 de maio de 2013

O que fazer quando nós fracassamos?

Uma crônica sobre jovens, educação pública e a nossa sociedade.




Foi numa manhã de terça-feira. O ônibus parou próximo a uma padaria e eu me preparei para mais um dia de trabalho. O material das aulas pronto e as falas repassadas na memória. Ainda me sinto incomodado com as cobranças excessivas da rede estadual, o discurso pomposo de nossos governantes e o descaso histórico da União, do estado e do município com a educação. Mas, quando abraçamos uma causa devemos dar o nosso máximo e não nos deter por conta das enormes montanhas a serem contornadas.

Sempre gostei de pensar que estava me dedicando ao máximo e que já tinha colecionado algumas vitórias enquanto educador. Uma certa vaidade me acometia quando olhava as fotos dos projetos premiados e do material produzido com os alunos. Era hábito meu dizer: Estou me esforçando todos os dias para fazer a minha parte. Não é o que sempre fazemos? Adaptar nossa mente para tentar, nem sempre com sucesso, conseguir bons resultados em nosso trabalho?

Então o vi com uma caixa de madeira presa ao ombro por o que de longe pareceu ser um pedaço de couro. A caixa de engraxate não foi o que mais chamou minha atenção, mas a expressão abatida e cansada, que deveriam estar no rosto de alguém que já viveu uma longa vida, numa face sem esperanças de um jovem que mal iniciou sua jornada.

E logo nessa semana, onde numa aula para jovens do nono ano havia dito de forma tão entusiasta: “O perfil do Brasil mudou e nosso estado é um dos que mais cresce no país. Estamos num estágio onde a educação é a força propulsora do futuro! Se dediquem aos estudos e esse futuro estará nas mãos de vocês.” Falávamos sobre o mundo globalizado, desemprego estrutural e tecnológico e os desafios da sociedade contemporânea em uma aula de Geografia.

Dizem que "as palavras nos traem". Espero me fazer ser compreendido com o que pretendo comunicar. Nada tenho contra a profissão de engraxate, o trabalho dignifica o homem e eleva o seu espírito. Não carrego comigo quaisquer preconceitos de classe, etnia ou gênero, mas acalanto a esperança que a missão da educação é libertar o ser humano e proporcionar seu crescimento espiritual, intelectual e material. Mas, por vários fatores que ultrapassam o exercício do magistério, a educação no Brasil tem uma dívida histórica para com o povo.

Aquele jovem engraxate fora um dos meus primeiros alunos, quando trabalhei como oficineiro do programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI em Venturosa. Na época eu tinha 18 anos e o programa se destinava a atividades lúdicas e reforço escolar. Lembro que ele cursava a quarta série em uma escola pública municipal e não sabia ler nem escrever corretamente. Eu ainda não havia ingressado na faculdade e nada sabia sobre didática ou qualquer estratégia para alfabetizar ou formar leitores. Talvez poucos dos meus colegas oficineiros (posteriormente chamados de monitores) tivessem esse compromisso no início de suas atividades. No PETI daquela época a ênfase era dada a trabalhos de Artes, atividades envolvendo esportes e eventos. Quem mais se destacou nesse período foi o amigo José Jorge, um grande arte-educador que levou suas experiências para o programa e tornou a turma da comunidade Ouro Branco/ Lagoa do Pé de Serra referência em Venturosa, não apenas em atividades culturais ou esportivas, mas no próprio reforço escolar. Com o tempo, sob a orientação de Luís Bispo, o programa ganhou forma e muitos trabalhos excelentes surgiram, mas o aluno em questão não desfrutou desse progresso.

Atuei na comunidade da Boa Vista e dentro das minhas limitações de jovem me esforcei para fazer um bom trabalho. Hoje vejo quantos erros cometi sozinho, e quantos cometi em conjunto. Posso me responsabilizar ou apontar culpados no programa pela dura vida desse jovem hoje? Não. Sou professor e não redentor de uma nação. Sou um educador como tantos outros, e não o salvador da pátria munido de pincel atômico e apostilas. 

Mas devo pensar no que ocorre quando fracassamos. Não falo enquanto professor, porque é sempre fácil dizer que o professor não dá o máximo, não se dedica, já ganha demais, não está comprometido com a educação e todas as outras baboseiras do discurso demagógico dos que comandam o processo. Até hoje algumas escolas funcionam em situações precárias, professores são mal remunerados e o material de trabalho está longe de ser o ideal. Até hoje verbas da educação são mal empregadas – quando não desviadas – em muitos municípios brasileiros e a população prefere ignorar a contestar o modelo de governança a que é submetida.

No tocante a esse jovem (e a tantos com histórias semelhantes) fracassamos enquanto sociedade. Jovens  que vivem em uma família desestruturada, vítimas da omissão do Estado, vivem em precárias condições e não têm acesso a uma boa moradia, educação de qualidade – passam por todo Ensino Fundamental I e II e leem e escrevem com muita dificuldade – introvertidos, violentos quando questionados e desestimulados pela dura realidade a que são submetidos. Hoje muitos jovens são um reflexo do país que as estatísticas, os políticos e o nosso ufanismo de nação emergente querem ignorar.

Fracassamos com o jovem engraxate e com milhões de brasileiros. A prova disso é o debate sobre a redução da maioridade penal para dezesseis anos e nenhuma mobilização para melhorarmos a segurança pública, os serviços de saúde, o acesso a bens imateriais como a cultura e a reformulação de toda a nossa educação pública, onde o Senador Cristovam Buarque é um dos grandes baluartes.

Fracassamos ao curvar nossas cabeças diante da elite raivosa e com medo por ter que dividir seus espaços com a classe emergente, por ter que dividir as cadeiras das faculdades com os filhos dos trabalhadores e que se nega a pensar um país organizado em função do seu povo e não dela mesma. Fracassamos ao abandonar nossa cultura tão rica e variada para consumir apenas o que é produto de consumo, sem qualidade, emoção ou criticidade alguma. Uma pseudoarte que nada agrega, apenas rotula e torna caricata grande parte de nossa gente.

O que fazer quando fracassamos? Além de não se desesperar e deixar que o pessimismo nuble nossa percepção é necessário recomeçar. Mas recomeçar do jeito certo.

Emerson Luiz

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vereadores aprovam projeto de lei que assegura direito dos professores municipais de Venturosa

Na segunda (02 de abril) a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade o projeto de lei que trata sobre o reajuste do salário dos professores em 22,22 e a redução de sua carga horária de 24 para 21 horas-aula. Mudanças exigidas pelo Governo Federal na lei que implantou o piso nacional de educação.

É bom ressaltar que os professores da rede municipal participaram da greve nacional pela implantação do piso e enviaram por escrito suas reivindicações à Secretaria Municipal de Educação. 

A iniciativa partiu dos professores da rede municipal e tanto o reajuste quanto a redução de carga horária são conquistas e não presentes ofertados.

Entre as reivindicações dos professores estavam:

* Redução da carga horária de acordo com o texto da lei 11738/2008 que estabelece o limite de 2/3 de carga horária. 

* Implementação do piso integral com maior valorização dos níveis educacionais dos profissionais, já que não são devidamente valorizados pelo Plano de Cargos e Carreiras do município.

* Participação dos professores na reformulação do PCC do município afim de estabelecer critérios para a escolha de cargos como os de Diretor, coordenador, supervisores entre outros.


O blog parabeniza a ação dos vereadores e gestores públicos, mas enaltece de forma especial o papel dos professores que lutaram e ainda lutam para conquistar melhorias para a categoria.



quarta-feira, 28 de março de 2012

EM SERRA, PREFEITO ANUNCIA SALÁRIO ACIMA DO PISO NACIONAL DA EDUCAÇÃO

Publicado pelo Portal do Sertao in Foco

Os professores da Rede Municipal de Ensino receberam do prefeito Carlos Evandro na manhã desta segunda-feira, durante Assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação o anúncio de aumento salarial de 18% aos professores e servidores da educação.
O piso que será pago à categoria é de R$ 1.572, superior ao piso definido pelo Governo Federal, de R$ 1.451. Com o novo aumento, o Governo Municipal compromete em 91% a folha do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), conforme informa o Farol de Notícias.
“Eu gostaria até de conceder um aumento maior, mas esse é o possível. Não adianta oferecer o que não se pode cumprir”, disse Carlos Evandro.
Na avaliação de Sinézio Rodrigues, presidente do Sintest, o aumento deve ser comemorado pela categoria. “Nossa proposta era de um aumento ainda superior ao oferecido. Entretanto, reconhecemos os esforços do governo”, avaliou.

quarta-feira, 21 de março de 2012

MINISTÉRIO PÚBLICO PRESSIONA MUNICÍPIOS NO PAGAMENTO DO PISO, ENTRE ELES ESTÁ O DE VENTUROSA

ATUAÇÃO EM BLOCO COBRA PISO DO PROFESSOR EM 13 MUNICÍPIOS

Publicado pelo Portal do Sertão in Foco


 O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) continua atuando para garantir o novo piso salarial para os profissionais do magistério que cumprem 40 horas semanais. Desta vez, os promotores de Justiça da 4ª Circunscrição Ministerial, com sede em Arcoverde, ingressaram com uma recomendação conjunta que tem como alvo 13 municípios da região. Os prefeitos dos municípios de Alagoinha, Arcoverde, Buíque, Ibimirim, Inajá, Manari, Pedra, Pesqueira, Poção, Sanharó, São Bento do Una, Tupanatinga e Venturosa têm 60 dias para implantar o reajuste, de forma que o valor seja de R$ 1.451,00.
Os promotores de Justiça Tayjane Cabral, Edeilson Lins de Sousa, Carlos Eduardo Seabra, Walkis Pacheco, Danielle Ribeiro, Leôncio Tavares , Giovanna Mastroianni, Jeanne Bezerra, Henrique Ramos, Domingos Sávio Pereira e Bianca Azevedo Barroso ingressaram com a recomendação conjunta para que a atuação ganhe força na região e haja o equilíbrio entre os mesmo, de modo a evitar que alguns gestores efetuem o pagamento e outros não. “Além disso, a recomendação conjunta fortalece a Instituição, haja vista que é uma medida impessoal em defesa dos direitos coletivos de toda uma categoria”, explica o promotor de Justiça de Arcoverde, Carlos Eduardo Seabra. Ele ainda acrescenta que o município de Belo Jardim, embora integre a Circunscrição, expediu recomendação, com o mesmo sentido, na última semana.

O aumento no salário dos professores este ano foi de 22,22%. A quantia é calculada anualmente tendo como base dados de 2011 correspondentes à variação anual do valor mínimo por aluno, definido pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Além de cumprir o reajuste salarial em 60 dias, os gestores municipais terão que pagar o valor retroativo a janeiro, em no máximo 90 dias, devendo ser pago em até três parcelas, em meses consecutivos. Ao final do prazo, os prefeitos devem encaminhar à Promotoria de Justiça do seu município a comprovação de que o novo piso foi adotado. Os chefes do executivo municipal ainda terão que comprovar o pagamento do retroativo.

VENTUROSA

Em Venturosa os professores de hora-aula aderiram à mobilização nacional em defesa do Piso. Entre as reivindicações dos professores encaminhadas à Secretaria Municipal de Educação estavam:

* Redução da carga horária de acordo com o texto da lei 11738/2008 que estabelece o limite de 2/3 de carga horária. 

* Implementação do piso integral com maior valorização dos níveis educacionais dos profissionais, já que não são devidamente valorizados pelo Plano de Cargos e Carreiras do município.

* Participação dos professores na reformulação do PCC do município afim de estabelecer critérios para a escolha de cargos como os de Diretor, coordenador, supervisores entre outros.
Este blog mantém espaço aberto para que os professores da rede municipal e os gestores municipais possam se manifestar a respeito do conteúdo publicado.



Com a atuação em bloco, visando 13 municípios do Estado, o MPPE completa 24 recomendações neste sentido. A atuação dos promotores de Justiça seguem a recomendação exarada pelo procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon de Barros, a qual solicita aos promotores de Justiça que adotem, no âmbito de suas atribuições, as medidas necessárias para assegurar o cumprimento do valor reajustado para o ano de 2012, do piso salarial nacional dos professores.
Caso a recomendação seja descumprida, os responsáveis pelas cidades poderão responder a processo judicial por improbidade administrativa.