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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A VENTUROSA QUE NÓS TEMOS E A VENTUROSA QUE NÓS QUEREMOS - José Lemos de Vasconcelos

Prestando mais um serviço de utilidade pública o Blog Carpe Diem/ Amo Venturosa divulga as opiniões de José Lemos  de Vasconcelos, o popular "Seu" Lemos sobre a Venturosa que temos e a Venturosa que nós queremos.

Seu Lemos é um bem-sucedido administrador de empresas que ocupou cargos no setor público como bancário e secretário municipal de Educação de Venturosa. Junto com o vice-prefeito Paulo Tenório e outras lideranças fundaram o PSD e buscam o diálogo com o povo na construção de um projeto para a cidade. O blog divulgou a primeira reunião da Agenda Positiva de Venturosa e suas repercussões.

Também tiveram suas opiniões registradas neste blog os amigos Ernandes da Farmácia, o vereador Adilson Leonilo - Pitu e Donizete Zacarias.

O espaço foi ofertado a todos os pré-candidatos e lideranças políticas do município de Venturosa. Ainda serão divulgadas as opiniões de Ademar e Adelson de Macêdo.

O blog tem um espaço para contribuições. O amigo navegante pode enviar textos para o e-mail: blogdoemersonluiz@ig.com.br ou publicá-los na seção de comentários abaixo de cada uma das postagens. Os comentários com termos depreciativos ou que exponham preconceitos NÃO serão publicados.

Com vocês as opiniões de José Lemos de Vasconcelos



Primeiramente quero dizer que é com muito orgulho e alegria que atendo a solicitação do professor Emerson Galindo, a quem admiro e respeito pelo seu trabalho, força de vontade, dedicação e disponibilidade de estar sempre pronto para servir e por saber fazer a diferença das escolhas plausíveis para Venturosa, razão pela qual reveste-se sempre de uma alma jovem que só almeja vencer.
Há trinta anos estou em Venturosa, onde constituí minha família e eduquei meus filhos, exemplos de vida, de amor e de perseverança. Hoje me encontro inoculado em uma família de estrutura sólida, preparada para a eternidade. Por onde passe e onde estou, sempre fui bem sucedido, respeitado e admirado, pois tenho uma história transparente  que Venturosa conhece.
O respeito pelas pessoas sempre foi meu escudo. Humildade e honestidade são referências que me fizeram chegar onde estou.  Por tudo isso, repito sempre: “Obrigado minha Venturosa por ter me dado durante esses trinta anos ‘o pão nosso de cada dia’”.
Venturosa é uma cidade relativamente uniforme no relato de sua história. Os fatos e as evidências nos mostram que não poderia ser diferente no contexto nacional ao que cabe uma cidade interiorana. Geograficamente temos tudo para ser uma cidade polo de grande desenvolvimento comercial.
Possuímos hoje uma das principais bacias leiteiras, não só na micro região do Vale do Ipanema, mas do Estado de Pernambuco. Nosso município concentra nos derivados do leite a principal fonte de renda para sustento de nossas famílias, inclusive com fábricas que transcendem fronteiras regionais colocando e valorizando Venturosa em destaque no Nordeste brasileiro.
O que temos até então não deixa de ser fruto do trabalho destemido do homem e da mulher venturosenses imbuídos de sonhos e inovações. Acrescente-se a  isso os grandes investimentos socioeconômicos Federais, Estaduais e Municipais bem geridos e administrados. Sendo assim precisamos que o próximo administrador municipal seja qualificado, competente e íntegro para poder melhorar ainda mais o desenvolvimento e a vida dos cidadãos de Venturosa e das gerações futuras.
O que querermos, no entanto, depende de ações, decisões e determinações políticas, que envolvam a sociedade e seus segmentos como um todo, para que Venturosa seja antes de tudo, emancipada em toda extensão da palavra, livre, participativa, corajosa e acima de tudo empreendedora. Continuar investindo cada vez mais em educação, pois esse investimento provoca uma espécie de efeito dominó as avessas. Em vez de derrubar alavanca uma série de setores como consumo, saúde, habitação , segurança, etc. Uma população com acesso a uma educação de qualidade tende a cuidar melhor da saúde e zelar pelos seus princípios de cidadania. Acredito no valor e na bravura de nossa gente investindo decididamente em princípios básicos de Educação de Qualidade que contemple Zona Rural e Zona Urbana  e ofereça bem estar para todos, sem distinção de classe, cor ou facção partidária.
Outra questão importantíssima deve ser a preocupação, não só do governo mas de cada um de nós é a Saúde da População. Nessa questão não podemos medir esforços para que os serviços de saúde sejam não só de qualidade, mas executados com atenção redobrada de carinho, amor, dedicação e solidariedade, onde a abrangência maior deve ser nos programas de saúde da família com assistência aos nossos idosos, deficientes físicos e a população carente que precisa de maiores cuidados. E nesse sentido cabe a todos nós, governo e sociedade, cuidar bem das pessoas para melhor conscientização de todos.
Acredito que como cidadão de Venturosa possa dar minha parcela de contribuição para seu melhor aprimoramento no que for bom para o povo, a quem tem nas mãos o grande poder para decidir quem é o melhor, o mais competente, o mais estruturado e o que tem melhor poder de diálogo para execução. Obrigado minha Venturosa pelo grande incentivo e por não perder as esperanças de ter a frente do comando do município o melhor para seu povo e sua gente. Que Deus ilumine a todos e que possamos sempre caminhar juntos no melhor para nossa querida e amada cidade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Professor Emerson Luiz entrevista o Professor Cirzirnande


É com imensa alegria que este blog volta a realizar entrevistas com personalidades da cidade de Venturosa, Pernambuco. O entrevistado desse mês é o professor Cirzirnande, um dos melhores educadores com quem tive o prazer de estudar e depois, de trabalhar nas escolas estaduais Quitéria Wanderley Simões. Nesse entrevista debatemos sobre temas como educação, serviços comunitários, política, entre outros. Desejo a todos os amigos navegantes uma ótima leitura:


DADOS PESSOAIS

Nome: Cizirnande Ferreira de Araújo. 
Data de nascimento: 20 de setembro de 1965
Estado Civil: Casado
Esposa: Nilvânia Maria Tenório
 Filhos: Cirzirnande Júnior ( Nando ), Crisnanda, Nívea e Nadine.
              
 Livros ou filmes que tiveram influência em sua formação?

Livros: As Veias Abertas da América Latina, Raízes, Olga, Mandela, Pedagogia do Oprimido.
Filmes: A Lista de Schindler, A Vida é Bela, Irmão Sol, Irmã Lua, O Nome da Rosa.

1.      O senhor é um educador, um dos melhores que conheci. O que o levou a escolher essa profissão?

Obrigado pela referência elogiosa. Agradeço-lhe por isto. Somente os bons alunos, ou seja, aqueles que buscaram na escola algo mais que os conteúdos ensinados, sabem perceber a importância de um educador e de um professor em sua vida.
 Por incrível que pareça, não escolhi esta profissão quando iniciei a minha carreira.  Tornei-me professor por força da realidade em que vivia minha família. Meu pai era pedreiro e agricultor; minha mãe, doméstica e agricultora. Ambos viviam migrando de um município para outro. Numa dessas viagens, já adolescente, fomos parar no Estado da Bahia. Lá, a Escola Pública existente só oferecia o curso de magistério. Outros cursos,  somente em escolas particulares e com mensalidades caríssimas. Não tive escolha, a realidade me impôs o magistério. Uma vez casado com esta profissão, já são vinte e dois anos de intensa convivência e de imenso respeito por aqueles que  não se divorciam dela.

2.      O professor é, por excelência, um formador de opinião. Como encarar essa responsabilidade de auxiliar na formação da criticidade?

Educar o aluno no sentido de tentar ajudá-lo a construir um caminho diferente do habitual é um desafio permanente. Não basta apenas repassar os conteúdos. Torna-se necessário que o professor tenha uma postura crítica e reflexiva sobre o meio que o cerca. É importantíssimo o professor trabalhar o lado da criticidade e da reflexão consciente dos problemas que enfrentamos no cotidiano. Temos encontrado algumas resistências, principalmente daqueles que precisam acordar, mas permaneceremos trabalhando este lado da construção de uma consciência cidadã e crítica.

3.      O que veio primeiro: o professor, o formador de opinião ou o político?

O professor veio por força da realidade, conforme já externei. O formador de opinião por força da aprendizagem, dos bons professores que tive, dos livros lidos, da reflexão da realidade vivida, das pessoas formadoras de opinião e da vivência do dia-a-dia. O político nasceu com os outros dois. Agora, a política partidária veio antes. Comecei a experimentá-la a partir de 1988 como membro do Partido dos Trabalhadores de Venturosa.
4.      
      Todos nós somos influenciados por alguém em nosso caminho. Quais as grandes influências em sua vida?

Quando criança, lembro-me da ausência de energia elétrica lá na vila onde nasci (Tará). Recordo-me que líamos alguma coisa com a luz do candeeiro. Estes fatos servem para ilustrar a realidade em que vivíamos. Mesmo diante de uma realidade adversa, era muito incentivado pelo meu pai que sempre dizia: estude, estude, estude. Enquanto meus irmãos o  ajudavam na roça, eu estudava, estudava e estudava... Outra influência muito positiva foi a da minha professora, Maria Luíza de Almeida, que me acompanhou nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.
Tive na minha adolescência e juventude uma forte influência para a prática do futebol de campo. Até fui considerado um bom peladeiro, pois jogava  constantemente. Vários jogadores de times do Tará e de Venturosa me serviram de  referência. Foi um período muito bom para mim.
5.      
            O senhor foi um dos sócios fundadores da Rádio Comunitária Venturosa FM. Hoje a emissora continua a expressar os mesmos ideais daquela época? Quais os elementos que uma comunicação a serviço da comunidade deve abordar?

 A Rádio Comunitária foi um projeto realizado por um grupo de venturosenses apaixonados por esta cidade. Começamos a dar os primeiros passos para a criação da emissora a partir do ano de 1996  . Com a ajuda de muitas pessoas, conseguimos, mesmo de forma precária, após longos anos de espera, colocar a rádio no ar. Da fundação da emissora até o presente, tivemos, entre membros de sua Diretoria, embates fortíssimos, o que levou muitos de seus sócios a se afastarem ou serem afastados das funções que exerciam. Lamentavelmente, uma rádio que nasceu para unir as pessoas, tornou-se fruto de disputas pessoais intermináveis. Torço para que os sócios que lá permanecem, possam zelar por este patrimônio do povo de Venturosa.
Reconheço o esforço de muitos de seus sócios, porém, há um longo caminho a ser percorrido no sentido de tornar a rádio “comunitária”. Quando os problemas da comunidade, da cidade e do município começarem a ser discutidos, talvez se inicie a vivência de um dos objetivos da radiodifusão comunitária em nosso município.
         
  
6.      Quando o senhor foi nomeado secretario de educação de município de Venturosa, na gestão do prefeito Albino Bezerra de Vasconcelos muita gente vibrou. Era como se um antigo sonho de educadores, colegas e alunos virasse realidade. Como foi para você assumir uma secretaria tão importante?

Entre os anos de 1995 e 1998, juntamente com o professor Cícero Jacinto, tive uma experiência muito boa na Direção da Escola Quitéria Wanderley Simões. O trabalho realizado pela equipe foi determinante para que o meu nome fosse lembrado para ocupar outro cargo, desta vez mais desafiador do que o anterior. Começamos com a certeza de que poderíamos repetir ou melhorar o trabalho feito no Quitéria Wanderley. Era nosso parâmetro. Não tinha a dimensão da grandeza da Secretaria Municipal de Educação: várias escolas, muitos servidores, muitos professores, professoras e o mais importante: uma grande quantidade de estudantes. Assumimos o desafio, e mais uma vez, a equipe que esteve comigo foi a grande responsável pelo sucesso que obtivemos durante o período que passamos à frente daquela Secretaria.
Foi gratificante. Dez anos depois, várias pessoas ainda comentam a nossa passagem, ainda lembram o trabalho que realizamos.

7.      O senhor foi o primeiro a pagar 13º salário, 14º, 15º e rateio para os trabalhadores da educação, isso quando os recursos em educação ainda eram parcos, antes da implantação do Fundeb, como conseguiu?

Conseguimos com muito planejamento e fazendo poupança dos recursos que eram depositados na conta do FUNDEF. O que sobrava do pagamento da folha salarial dos professores era poupado para ser pago no final do ano. Fizemos uma boa poupança, o que resultou no pagamento do 14º, 15º e rateio.  O interessante é que esta ação foi, também, desenvolvida por outros gestores que nos sucederam, ocasionando ganhos para os professores.

8.      Ainda sobre sua atuação como secretário, queria abordar um tema polêmico. O senhor era um dos melhores secretários da gestão Albino Bezerra de Vasconcelos e, de repente, deixou de ser. Muitos foram pegos de surpresa e julgaram que seria um desentendimento passageiro, depois se confirma a notícia que Cirzirnande teria abandonado a secretaria de educação e em seu lugar estaria o empresário José Lemos de Vasconcelos. Como isso ocorreu?

Antes de completarmos  uma ano à frente  da Secretaria Municipal de Educação, já vinha externando um certo descontentamento com algumas ações desenvolvidas no âmbito do Governo Municipal. O Prefeito eleito, na época, afastou-se alegando problemas de saúde. A prefeitura começava a ter problemas gerenciais e administrativos. Após o afastamento do Prefeito eleito, o Vice começa a exercer as prerrogativas de Chefe do Executivo conforme determina a lei. Durante seis meses, trabalhou para organizar as finanças da Prefeitura e para melhorar os serviços prestados  à população. Neste ínterim, houve um “desentendimento” entre o Prefeito eleito e o seu Vice que estava comandando a Prefeitura. Em solidariedade ao Vice-Prefeito, Ranulfo Quirino, hoje amigo e compadre, que passara o cargo no final de 2001 para o Prefeito Eleito, manifestei a intenção de deixar o governo. Recebi um abaixo assinado com centenas de assinaturas pedindo a minha permanência na Secretaria. Diante do apelo de tantas pessoas, solicitando que eu permanecesse, fiquei aguardando o diálogo com representantes do Executivo. Não havendo nenhuma conversa, redigi ofício ao Chefe do Executivo e coloquei o cargo à disposição.
Após o retorno do Prefeito Eleito, viajei para a cidade de Garanhuns e, quando voltei, uma amiga e professora me informou que havia sido nomeado um outro secretário. No dia seguinte, um emissário da Prefeitura veio até minha residência trazer a portaria me exonerando do cargo de Secretário de Educação do Município de Venturosa. A partir da minha saída fiquei afastado do governo por um bom período.

9.      Alguns anos mais tarde, o senhor disputaria o pleito como vice-prefeito junto com Albino. Hoje o senhor considera isso um erro?

O trabalho realizado na Secretaria, apenas por um ano, fez com que o meu nome fosse lembrado para compor a Chapa Majoritária. Naturalmente, com o meu afastamento da Secretaria houve um distanciamento do Governo Municipal. No período em que fiquei afastado, muitas pessoas deixaram o Governo. Para o povo a minha imagem está associada à figura do Secretário, associação correta. Só que eu era presidente de um partido político e pela primeira vez em Venturosa este partido iria compor a chapa Majoritária. O nome no partido poderia ser de qualquer membro, contudo, a pessoa que, segundo os filiados, poderia compor a chapa seria eu. Por maioria absoluta dos votos daqueles  que participaram da reunião da convenção do partido, decidimos que o PT indicaria o candidato a vice-prefeito e o nome escolhido seria o meu. Poderia ter recusado a escolha, mas o partido havia feito aliança nos anos anteriores com o mesmo grupo político. Em 1992, o PT e o PSB de Venturosa caminharam juntos. No ano de 1996, repetimos a aliança e mais uma vez perdemos a eleição. Chegamos em 2000 com uma ampla aliança e mais uma vez o PT e o PSB estavam juntos, desta vez o grupo venceu a eleição. Quando chegou 2004, os partidos eram os mesmos de 2000, com uma diferença: o grupo estava no poder, o grupo tinha governado. Diante dos problemas que  começaram a surgir na época, um grupo de correligionários do prefeito terminou saindo para formar uma aliança com o PFL local. Nós do PT poderíamos também ter saído, uma vez que eu estava afastado,  não para fazermos aliança com o PFL, mas para retomarmos o caminho de anos anteriores; ou seja, lançar uma candidatura a prefeito desvinculada do grupo que apoiávamos. Até hoje, muitos venturosenses desejam uma alternativa para as candidaturas que estão sendo apresentadas.
 Não tenho nenhuma dúvida de que erramos naquele momento. Não sabíamos da dimensão dos reais problemas administrativos vividos pela prefeitura. Apostamos no escuro, uma vez que não conhecíamos nem tínhamos o controle de nenhum órgão. Quando fechamos a aliança, acreditávamos que os problemas poderiam ser amenizados. Não foi o que ocorreu. Os problemas administrativos surgiam com freqüência e as pessoas responsáveis pelo gerenciamento não conseguiam  resolvê-los, empurrando a campanha para baixo e facilitando  a vitória da oposição.
Paguei um preço muito alto por ser partidário. Poderia ter feito como muitos que estavam no barco e pularam para criar um novo barco com peças já usadas que não sabemos até onde navegará. Eu estava fora, vi o barco e os amigos afundando e tentei salvar alguns, não foi possível socorrer ninguém.

10.  Vamos falar sobre educação. Como o senhor avaliaria a política educacional de nosso município?

Os municípios brasileiros têm um desafio enorme quando o assunto é educação. Venturosa não é diferente. Pernambuco não é diferente. Os números apresentados pelas últimas avaliações indicam que temos um longo caminho a  percorrer.  Não tenho acompanhado com frequência os dados educacionais do nosso município, uma vez que faz dez anos que estive no comando daquela Secretaria. Acredito que os problemas de Venturosa sejam os mesmos da imensa maioria dos municípios do Brasil: professores com salários baixíssimos, evasão altíssima, repetência elevada, falta de estrutura das escolas, pouco investimento do PIB em educação, qualidade da aprendizagem aquém do desejável. A esperança está na aprovação de Plano Nacional de Educação que se encontra para discussão e debate no Congresso Nacional.
11.  Tanto os servidores estaduais quanto os municipais estão descontentes com seus vencimentos e com o excesso de cobranças. O educador em Pernambuco ganha um salário justo?
Nós conhecemos a trajetória de muitos municípios pernambucanos. Há algum tempo  os prefeitos pagavam a metade do salário mínimo aos servidores. Depois começaram a pagar o salário, mas não conseguiam concluir a folha, pois atrasavam o pagamento. Hoje, muitos pagam o salário, porém não reajustam na data proposta pelo Governo Federal. É preciso que os governantes,  principalmente os municipais, avancem no sentido de garantir uma política salarial que contemple parte das reivindicações dos servidores.
Os professores pernambucanos, até poucos dias, recebiam o menor salário do país. Com o último reajuste, que ocorreu no último mês de junho, do ano em curso, passamos a receber RS 1.187,00 para 200 aulas mensais. Quem tiver graduação vai receber 1.247,00. Como podemos constatar, Pernambuco não tem dado prioridade à questão salarial dos seus professores. Muitos municípios pernambucanos pagam bem mais do que os valores mencionados. Continuamos com vencimentos baixíssimos.

12.  Ainda hoje muitos consideram o professor Cirzirnande uma liderança política a ser ouvida e respeitada. Gostaria que o senhor comentasse um pouco sobre a situação da oposição em Venturosa.

A “oposição” encontra-se muito fragmentada. Os responsáveis por este papel conversam pouco e às vezes não agem conjuntamente. Se eles se encontrassem mais, conversassem com mais freqüência e ouvissem as pessoas, teriam uma atuação melhor. Espero que eles possam discutir com mais celeridade os problemas do nosso município e consigam promover ações que melhorem a vida da nossa população.

13.  Alguém já disse que o maior adversário da oposição é ela mesma. O senhor concorda com essa frase?

Depende da oposição. Se for uma oposição que não saiba fazer o seu papel, tropeçará em si mesma. Se for uma oposição que saiba o que quer, terá sucesso em suas ações. As dificuldades das oposições acontecem no plano nacional,  estadual e municipal. Há uma tendência muito forte das forças  políticas se aglomerarem em torno de quem governa, sobrando pouco espaço para quem faz oposição. Em Pernambuco, quase não se fala na oposição. Em nosso município também se repete o que observamos em outros lugares. Temos três vereadores, que formam o bloco de oposição, porém,  somente “um” tem atuado com mais ênfase no papel de opositor.

14.  Como o senhor define a gestão do prefeito Eudes Tenório Cavalcante? Quais os erros e acertos desse governo?

O atual Prefeito inaugura um novo ciclo na política de Venturosa. Ganhou a eleição do  Ex-Prefeito Albino, graças aos   seus  erros gerenciais e administrativos.  Nos primeiros quatro anos, conforme números apresentados que culminaram na sua sua reeleição, foi uma gestão muito bem avaliada pelo povo de Venturosa. No segundo mandato, segundo os números da eleição para Deputado, percebe-se uma certa fadiga do eleitor em relação aos candidatos apresentados pelo Prefeito. Se este desânimo terá reflexos em 2012, não saberemos. Geralmente é comum os governantes pisarem no freio quando se reelegem. Vamos aguardar 2012. Com relação aos acertos eu destacaria a busca de recursos junto aos Governos Federal e Estadual, mesmo sem manifestar o apoio aos mesmos. Venturosa tem recebido muitos recursos, isto é bom para o nosso município. Muitas pessoas pensam que é fácil governar um município, não é. Eu sei do esforço dos prefeitos para conseguirem alguma verba.
Com relação aos erros, destacaria a falta de transparência no gerenciamento dos recursos públicos e a falta de discussão com a população dos reais problemas do nosso município.

 Alguns nomes já circulam como possíveis candidatos a prefeito de nossa cidade. Gostaria que o senhor falasse sobre suas impressões a respeito deles: Adelson de Macêdo, Donizete Zacarias,  Adilson Leonilo – Pitu,  Tarcísio Vitor, José Lemos de Vasconcelos,  Ernandes da Farmácia e  Ademar – Sec. de Saúde.

       Nesta relação acrescentaria o nome de Ranulfo Quirino que já governou o município por seis meses  e tem  experiência como gestor.  É natural que as pessoas comecem a discutir os  possíveis nomes que se enfrentarão na eleição de 2012. De um lado estão os possíveis candidatos do prefeito. Do outro, estão os pretensos nomes apresentados pela “oposição”. O certo é que, até junho de 2012, teremos uma boa discussão sobre estes nomes.  Tenho alertado o grupo sobre a necessidade de se fazer algumas pesquisas para sabermos o potencial de votos dos nomes apresentados. O grupo da oposição está com os partidos que governam o Brasil e o nosso Estado ( PT, PSB, PTB  e PDT). Precisamos, também, respeitar os partidos que, através de seus filiados,  decidem quem concorrerá ao pleito eleitoral. Vamos esperar as discussões ocorrerem.


      No grupo do prefeito (PR,PV, PSDB, PMDB), a situação é bem mais fácil, bem mais tranqüila. O escolhido terá menos dificuldade de colocar a campanha na rua, uma vez que o grupo governa a prefeitura. A palavra final será a do Prefeito que tentará eleger um nome para dar continuidade a sua gestão. Sabemos que é muito difícil a transferência do voto quando os candidatos têm índices de rejeição alto. Caso a oposição encontre um nome, que caia na graça do povo, teremos uma eleição bem disputada.
      Sei que o vencedor  terá um desafio enorme pela frente, pois terá como parâmetro a atual administração. O importante é que façam o melhor para o nosso município e administrem para o povo.

15.  Muitas pessoas comentaram a mudança de partido do ex-Prefeito Albino, até pelos ataques que ele sofreu durante a campanha pelo Prefeito Eudes. Como o senhor encara a união desses opostos?

É difícil compreender que posições tão antagônicas até recentemente, agora estejam compartilhando  o mesmo pensamento.   Depois de sete anos , permaneço no grupo e aquele com quem nos aliamos migra para o lado de quem lhe proferiu os mais duros ataques em uma eleição municipal. Respeito a posição e a liberdade das pessoas em militarem no campo político que quiserem, mas os eleitores e as pessoas a quem representamos merecem o mais absoluto respeito. Não é uma vitória numa eleição que mede o nosso grau de responsabilidade com os eleitores. É preciso representar estas pessoas com dignidade. Fazer alianças no campo da política é natural. Agora, tem alianças que são inexplicáveis e ninguém sabe os interesses que elas representam.

16.  Quais deveriam ser as prioridades do próximo prefeito de Venturosa?

Pelas reclamações que tenho escutado, o futuro prefeito ou prefeita deve continuar perseguindo melhorias para a saúde de nosso município. O desafio é grandioso, as prioridades são várias. Há muita coisa pra ser feita na educação, na saúde, na assistência social, no meio ambiente e agricultura, na  administração, etc. Cobrar ao Governo do Estado a realização da melhoria do sistema de abastecimento d’agua do nosso município seria uma boa prioridade. Colocar internet grátis para as pessoas que  têm computador, também seria uma bom desafio. Melhorar os índices educacionais, criar uma política salarial para os servidores municipais que vá além do salário mínimo, são alguns desafios interessantes, só para mencionar algumas.

17.  Em Venturosa ainda temos uma mentalidade herdada da ditadura, o bipartidarismo. Hoje ou se é verde-amarelo ou se é vermelho. Isso é bom ou ruim para o desenvolvimento político e cultural de uma cidade? Não seria melhor formar eleitores sem cores e mais preocupados com as propostas de cada candidato?

Quando as pessoas analisam apenas as cores dos grupos políticos, isto se torna bastante prejudicial. Há muitas pessoas, hoje, querendo romper com este modelo chamado de “pastoril político eleitoral”. Os partidos políticos no Brasil, têm feito uma associação com as cores que os representam. O importante é que o eleitor conheça a proposta de cada partido político. Os candidatos, teoricamente, devem obedecer àquilo que o partido determina em seu estatuto e em seus manifestos.

18.  Houve algo no mínimo curioso na eleição para deputado. Muitos viram com surpresa os candidatos apoiados pelos vários grupos de oposição serem mais votados que os  candidatos apoiados pelo governo. Isso reflete uma mudança na mentalidade do eleitorado, uma queda na popularidade do governo municipal ou ambos?

Mesmo o Executivo se esforçando bastante para dar uma maior quantidade de votos  aos seus candidatos, interpreto a eleição para o legislativo  completamente diferente de uma disputa para elegermos um prefeito. Na eleição municipal as pessoas participam de forma direta, há outros interesses. Todos esperávamos que os deputados  apoiados pelo grupo que governa a prefeitura  tivessem uma votação compatível com o resultado da última eleição. Foi uma surpresa para todos nós. É difícil mensurar o desempenho futuro do candidato apoiado pelo Prefeito. Tudo dependerá da avaliação da atual gestão e do potencial de transferência de votos do atual Chefe do Executivo para o seu candidato. Será que os eleitores  vão gostar do nome que disputará a eleição? É um verdadeiro jogo de xadrez.

19.  E o professor Cirzirnande, volta como candidato?

Tive algumas experiências importantes na minha militância política. Juntamente com alguns companheiros de partido fui candidato a vereador pelo PT em 1988. Depois fui, para marcar posição, também pelo PT, candidato a prefeito no ano de 1992. Passei um longo período sem concorrer a nenhum cargo eletivo, até que surgiu a aliança entre o PT, PSB e PTB e o meu nome foi indicado para compor a chapa majoritária como candidato a vice-prefeito. Após a derrota na eleição de 2004, cada vez mais, por dedicar-me quase que exclusivamente à profissão que exerço, tenho me afastado das disputas eleitorais. Não tenho mais tempo para fazer a militância política.  A sala de aula e as atividades relacionadas ao magistério tem sido a minha prioridade no momento. Não havendo tempo para militar partidariamente, optei em desfiliar-me do Partido dos Trabalhadores desde agosto de 2009. Não descarto a possibilidade, mesmo que remota no momento,  de um dia voltar a ser candidato...

21.   A palavra é sua Cirzirnande. Deixe uma mensagem para os nossos amigos que acompanham esse blog.

      Quero agradecer a sua paciência por esperar a conclusão desta entrevista, pois você me deu um prazo razoável, compatível com quem trabalha de 7:30 da manhã às 10:00h da noite. Aproveitando que hoje, 14 de agosto, é o dia dos pais, externo a minha profunda admiração por todos eles, que como eu, lutamos diariamente para buscarmos uma vida melhor para nossas famílias. Emerson, por maiores que sejam nossas dificuldades e adversidades, os nossos sonhos devem prevalecer. Continuo sendo um sonhador. Sonho com a construção de amizades verdadeiras entre as pessoas, sonho com o surgimento de bons políticos, sonho com a educação do meu país melhorando, sonho com um mundo sem fome... Sonho com a natureza não sendo destruída,  sonho com a vida, mesmo Severina, que rasga as pedras do caminho... Obrigado a você e aos leitores e leitoras deste Blog!

domingo, 15 de maio de 2011

ENTREVISTA - Pe FÁBIO PEREIRA DOS SANTOS



momentos antes de  sua Ordenação Presbiteral

Para inicio de conversa

Tenho o prazer e a honra de entrevistar o Pe. Fábio Pereira dos Santos da Paróquia de São José em Venturosa - PE. O Padre tem se destacado nessa cidade por seu trabalho nos mais diversos setores. 
Fábio Pereira dos Santos nasceu no dia 18 de setembro de 1978 no Hospital Dr. Lídio Paraíba em Pesqueira- PE. Em sua infância e início da juventude viveu no Distrito de Socorro – Alagoinha – PE. Filho de José Pereira dos Santos Filho e Maria Marlene Oliveira dos Santos – ambos agricultores, gente simples e sábia na vida e na educação dos filhos.
Quando chegou a Venturosa como estagiário, durante a administração do Pe Fernando, já demonstrava grande habilidade e um amor para com o ministério e para com os excluídos. Foi o primeiro padre ordenado em nossa cidade e sem dúvida terá seu nome escrito nos anais da história venturosense.
O padre é um leitor compulsivo e isso é refletido na qualidade de suas homilias. Quando indagado sobre seu gosto musical responde: "Gosto de ouvir música, principalmente regional 'de qualidade', MPB e clássica", quanto ao time do coração nosso amigo tem duas paixões: "Gosto de Futebol. Principalmente ver o São Paulo e o Sport Clube Recife Jogar".

Vamos então a entrevista:

1. O senhor está em Venturosa há alguns anos. Qual a impressão que tem da cidade hoje? Ela mudou desde que chegou aqui?

Pois é! Cheguei aqui em 10 de março de 2005. Tenho uma boa impressão. Sinto que a cidade cresceu. Porém noto um crescimento um pouco desordenado o que trará sérios problemas para futuro ou já agora no presente. É bom lembrar que crescer não significa somente aumentar o número de moradia e habitantes, isso pode significar inchaço. Crescer  é um conjunto. Aumenta as moradias e habitantes, aumente-se também oportunidade de empregos, educação, lazer , saúde... particularmente tenho uma grande preocupação com essas casas  populares, não só aqui mas em outras cidades, é tipo uma ocupação sem o acompanhamento adequado para a formação de uma comunidade, onde contemple no mínimo uma associação de moradores “de verdade”.

2. Pela sua ação pastoral percebemos que o senhor tem um olhar social profundo. Pode nos falar como ele nasceu?

Fui criado numa comunidade que tem um forte apelo social. Na Igreja tínhamos o conselho comunitário. Tínhamos duas associações comunitárias, sem contar com a atuação pastoral dos Frades Franciscanos nesse campo. Desde a década de 60 que temos o Sindicato dos Trabalhadores Rurais no qual meu pai era filiado.
Então desde cedo essa foi a minha escola. Também tive forte influência quando estive a frente da Pastoral da Juventude da Comunidade: éramos jovens muito atuantes.

Dom Hélder Pessoa Câmara
3. Quais as maiores influências na sua formação teológica e humanitária?

- Sem dúvida a teologia católica com sua amplitude, abertura e diálogo com as demais ciências nos ajuda numa síntese que une fé, vida e realidade social. Tive muitas influências. No campo Teológico fui influenciado pelos teólogos do Vaticano II e dos Clássicos como Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho e os Padres da Igreja. Também tenho recebido influências de Teólogos atuais  e grandes brasileiros. Para citar influências mais claras, não posso esquecer a Figura do Frei Jerônimo Clemem, o qual não conheci pessoalmente, pois faleceu antes que eu nascesse,mas tive contato com sua ação pastoral. Foi um “sociólogo por excelência” e grande Pastor em Alagoinha, minha paróquia nativa.
Não posso esquecer dois homens que marcaram a minha vocação: Dom Helder Câmara e Dom Manoel Palmeira da Rocha. Dom Helder  Arcebispo de Olinda e Recife e Dom Manoel Palmeira Bispo de Pesqueira. Diferentes porém recebi influência de deles a seu modo. E não posso esquecer os seminários onde estudei: Pesqueira, Mosteiro de São Bento em Olinda e “O Velho Seminário de Olinda”  conhecido como a “Casa dos Heróis” berço das Revoluções em Pernambuco. Gratidão especial a minha comunidade de Socorro, Terra de Padres” se não me falha a memória somos 8 padres filhos da Terra.


4. Como o senhor encara o ecumenismo? Um realidade palpável ou uma utopia distante?

- O ecumenismo é sem dúvida uma das respostas mais adequadas que o cristão deve dar a oração-prece de Jesus: “... que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Para que não conhece essa expressão Ecumenismo é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as Igrejas Cristãs ou seja é uma forma de, apesar de nossas diferenças nos respeitarmos e vivermos como irmãos, inclusive, na medida do possível trabalhando juntos. Vejo como uma realidade palpável, porém existe uma dificuldade com algumas “Igrejas” quem não tem formação teológica, as quais ainda estão naquela coisa ultrapassada da agressão e muitas delas nem sabem o que é Ecumenismo e tem uma visão totalmente errada disso. No Brasil nós temos o CONIC que é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. É um avanço. Nós trabalhamos juntos em vários momentos e ações inclusive nas Campanhas da Fraternidade. Que pena que só faz parte do CONIC as Igrejas Históricas e teologicamente bem definidas. São elas: Igreja Católica, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Luterana, Igreja Ortodoxa e Igreja Presbiteriana Unida. Veja que são pouquíssimas se  observarmos o universo de Igrejas que existe no Brasil. Muitas não querem participar por desconfiança, outras por não saber e outras porque se forem participar esvaziam o seu discurso agressivo.

5. A paróquia de São José mudou muito durante sua administração. Quais os pontos positivos e negativos que o senhor destacaria?

São muitos os aspectos que poderíamos abordar. Deixemos que o tempo se encarregue de mostrar as escolhas acertadas ou não.  O que deve ficar é a certeza que estamos trabalhando e nos esforçando  para a construção do Reino de Deus nessa cidade.

6. A reforma da Igreja Matriz é um sonho antigo de muitos venturosenses que agora se torna realidade. Como tem sido administrar uma obra tão grande e sem recursos fixos?

Não tem sido fácil. Vale salientar a colaboração da grande maioria do povo de venturosa e das comunidades em geral. Pessoas que tem colaborado das mais variadas formas e segundo as suas posses ou até acima delas. É também verdade que encontramos a incompreensão de muita gente e até a crítica infundada ou o que chamamos de piadinhas desagradáveis que as vezes nos desestimulam. Mas quando vemos a compreensão e colaboração da grande maioria passamos por cima de tudo e seguimos de cabeça erguida.




7. Quais as metas da paróquia através dos seu organismos sociais?

Nosso primeiro objetivo é conscientizar a comunidade sobre as questões sociais. Sinto na comunidade uma consciência adormecida nesse aspecto. Depois que através de nossas ações as “pessoas tenham vida e vida em abundancia”. Desejamos também que nossas ações sejam um despertar para que outras entidades, Igrejas e Sociedade Civil organizada possa abraçar também essa causa tão nobre e necessária.

8. Gostaria que o senhor comentasse sobre a política estadual de segurança pública e de respeito aos direitos humanos.

Em primeiro lugar fico impressionado com a capacidade do Governo do Estado de maquiar os números em relação a violência. Dizem que diminuiu mas basta assistirmos a TV nos Telejornais Locais, ou ouvindo os rádios ou lendo os jornais que vemos que a coisa não está tão boa assim. Gostaria que esse Pacto pela Vida fosse algo que se concretizasse, mas sem essas apresentações fantasiosas.


9. O senhor considera que muitas organizações não governamentais e membros da sociedade civil organizada se omitem diante dos autoritarismos de alguns governos? Há algo que se possa fazer contra isso?

Não digo a autoritarismos mas falo sempre de uma omissão frente aos Governos. Vemos o Legislativo desde as Câmaras Municipais , passando pelas Assembléias Legislativas até o Congresso Nacional, todos subservientes ao Executivo. Essa “subserviência ao Poder” fere o princípio democrático de Liberdade e Harmonia entre os poderes. Onde há subserviência não há harmonia nem liberdade. Nesses últimos tempos os movimentos sociais estão todos calados diante de vários temas. Um ou outro se manifesta. É notável agora nesse período de cheias e calamidades na Mata Sul. Todo mundo pede ajuda para os desabrigados  o que é nossa obrigação  fazer e ajudar, no entanto não vemos o mesmo empenho em cobrar as medidas preventivas e de urgência que foram prometidas nas outras cheias. Pessoas ainda estão desabrigadas desde o ano passado e nada. Durante o período era Helicóptero de Governador, Presidente da República, presença de Senadores, Deputados, todos com promessas e nada ou muito pouco se fez. Eis o trabalho nosso e de todos os formadores de opinião: Conscientizar a Sociedade para lutar por seus direitos e assumir e viver os seus deveres.


10. A palavra é sua padre. Qual a mensagem que gostaria de deixar para os leitores desse blog?

Em primeiro lugar quero agradecer a Você Emerson pela entrevista. Depois desejo que  possa ser útil a todos e todas que tiverem contato com ela. Quero dizer aos Leitores do Blog que continuemos cada um na sua condição e a seu modo construindo com nossa vida, nossa presença e nossas ações um mundo melhor. Que Deus nos ajude a alcançar esse propósito! Um abraço e que nos Abençoe!









quinta-feira, 14 de abril de 2011

Entrevista - Adilson Leonilo

Iniciando uma série de entrevistas com pessoas da cidade de Venturosa, esse blog presta mais um serviço à comunidade venturosense. Foram as pessoas que acompanham esse espaço que elencaram nossos entrevistados e procurarei, dentro do possível, tornar conhecida a opinião dessas pessoas.

Nosso primeiro entrevistado foi o mais votado na enquete: o vereador Adilson Leonilo, o popular Pitu.

Não consigo deixar de lembrar do antigo programa de entrevistas que apresentei na Rádio Comunitária de Venturosa quando esta ainda servia a comunidade e não a um pequeno grupo que a trata como um bem privado, mas isso já é outra história.

As perguntas foram enviadas por e-mail ao Vereador Adilson Leonilo (Pitu). As respostas expressam sua opinião e nem sempre as do seu entrevistador (espero poder me chamar assim), mas mesmo assim usarei a máxima de Voltaire: mesmo que não concorde com tudo o que fales, defenderei até o morte o te direito de falar.

Espero que os leitores desse blog apreciem esse momento de informação, respeito e vivência da democracia.

Emerson Luiz

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Dados pessoais: nome data de nascimento, estado civil.


Adilson leonilo bezerra 01-08-1958 casado.

1- O que o levou a ingressar na vida pública.

Pensei que, como vereador pudesse dá uma contribuição maior para nossa cidade. Sei que quem deve avaliar o meu trabalho é a população mais acho que estou conseguindo.

2- Sei que não serve de comparação, mas o comediante Tiririca disse que não sabia para quê servia um deputado e diria aos seus eleitores quando assumisse suas funções. O senhor é um vereador atuante em Venturosa, então, pode nos dizer para quê serve um Vereador?




São cinco funções importantes dos vereadores, a função legislativa consiste em elaborar, apreciar, alterar ou revogar as leis de interesse para a vida do município. Além disso, as leis também são importantes para a harmonia entre os poderes, orienta a vida das pessoas que dirigem a administração pública. Por exemplo, o prefeito só pode fazer o que estiver permitido pelas leis.

A função fiscalizadora, é possível ter um controle de como o Prefeito e os secretários estão administrando o município, utilizando os recursos públicos. Cabe aos vereadores acompanhar todas as ações do executivo: realização de obras, compra de material e de equipamentos, contratação de funcionários, prestação de serviços, fornecimento da merenda escolar. Tudo isso está relacionada com o controle parlamentar, isto é, a atividade que o poder legislativo exerce para fiscalizar o Executivo.

A quem diga que fiscalizar é a função mais importante dos vereadores, ou melhor, do poder legislativo em geral. Quase sempre encontramos dificuldades para fazer valer essa função.

A função administrativa, a Câmara gerencia seu próprio orçamento, seu patrimônio e seus funcionários, e também organiza seus serviços como a composição da mesa Diretora e o funcionamento das Comissões.
A função judiciária: cabe a Câmara processar e julgar as contas do poder executivo, julgar o prefeito e os próprios vereadores se eles cometerem crimes de responsabilidade, desvios éticos ou decoro parlamentar

A função de assessoramento: os vereadores podem auxiliar o poder executivo a administrar o município, fazendo indicações de ações a serem tomadas em favor da população. Através de indicações, os vereadores podem sugerir a construção de escolas, para fazer estradas, perfuração de poços, limpeza pública, assistência à saúde, etc.

3- O senhor é um vereador de oposição. Como classifica a atuação da oposição municipal nos dias de hoje?

Eu penso que as oposições, deveriam fazer um trabalho conjunto, e o que vejo é uma ação aqui outra ali isoladamente, falta uma melhor articulação e qualidade nas ações.

4- Estamos próximos das eleições municipais. O que fazer para que os partidos de esquerda saiam vitoriosos?

Eu penso que temos que fazer um projeto para cidade, e não um projeto pessoal ou de pequenos grupos. Um programa discutido com a população, a palavra certa é compromisso com o povo de Venturosa. E desde já antecipo, um orçamento de quase 25.000.000,00 milhões como está previsto para esse ano. À população tem que participar. Orçamento participativo, audiência pública, para discutir de que forma devem ser aplicados os recursos do município. Um governo municipal aonde o povo tenham voz e vez. Temos que saber dinheiro particular: dinheiro de uma pessoa, assunto só dela. Dinheiro público: dinheiro do povo, assunto de todos.

5- Nossa cidade ainda tem sérios problemas de ordem social, estrutural e econômica. Quais deveriam ser as prioridades desse e do próximo governo?


Todos tem o discurso na ponta da língua, e diz nos palanques principalmente em época de eleições, meu compromisso é: com educação, com saúde, com infraestrutura, com saneamento básico e etc.

Eu penso que, para cada área temos que desenvolver um projeto, e um cronograma, programático, para ser realmente executado. Vou dar um exemplo: o município gasta 56.000,00 mil reais, por ano, com ultrassom, enquanto um aparelho de ultrassom custa 40.000,00 mil reais. Nós temos que mudar isso, aplicar bem os recursos do município, com qualidade e eficiência. Garantir isso através de Lei, um cronograma programado independentemente do partido que venha assumir o poder.

6. O senhor esteve presente na audiência todos por Pernambuco e conseguiu fazer algumas reivindicações em nome de nosso município. Quais foram as mais importantes em sua opinião?


1- Caixa d’água e sistema de rede de distribuição de agua e esgotos

2- Matadouro

3- Aterro sanitário

4- Recapeamento da PE 217 trecho venturosa X pesqueira

5- Um programa para indenizar os pecuaristas quando tiver de sacrificar animal

Essas Foram algumas das reivindicações, que levamos para fazer parte do Plano plurianual do Governo estado.

7. Vereador, Venturosa hoje sofre com o “estresse” hídrico. Algumas localidades sofrem com a falta d'água e a correção dessa realidade tem sido uma de suas bandeiras. O senhor poderia falar um pouco sobre isso?

Bom, essa luta vem de longe, como líder comunitário pedi para um vereador fazer a indicação de uma caixa d’água para venturosa em 2001.
Em 2005 minha 1ª indicação foi para fazer a caixa d’água.
Em abril de 2006, levei ao conhecimento do ministério público a situação caótica de Venturosa com relação à falta d’água, que prontamente marcou uma reunião com todos nós, funcionários da COMPESA, vereadores e secretários, e naquele momento eu defendi a construção da caixa d’agua.
Em 2007 encaminhei um documento ao Governo do estado, assinado por mim e por várias lideranças do município, pedido a caixa d’água.
Em 2009 eu fui junto com outros vereadores a TV asa branca, fomos agendar com o representante da TV para registrar um movimento que íamos fazer com carro de som nas Ruas de Venturosa convidando toda população a participarem da manifestação em prol da caixa d’água. Depois de alguns dias o representante da TV asa branca através de ofício nos informou que era desnecessário, pois já estava licitada a construção da caixa d’água.
Recentemente estive na Assembleia Legislativa de Pernambuco, e pedi para o deputado Júlio, fazer a indicação da caixa d’água, o deputado disse que é prioridade lutar para venturosa ter uma nova caixa d’água.

Olha Emerson, eu fiz questão de colocar tudo isso, porque tem pessoas que acham que estamos de braços cruzados.

8. Gostaria que num rápido uso da palavra o senhor expressasse o que pensa dessas pessoas em uma frase:

a) Eudes Tenório.

Pelas suas atitudes, vejo como autoritário, arrogante e prepotente.

b) Adelson de Macêdo
c) Donizete Zacarias

Dois companheiros de partido, cada um, ao seu modo, luta pelo acredita.

9. Como Adilson Leonilo descreveria o vereador Pitu?

Um cara que têm procurado fazer o melhor, para levar as reivindicações, dos funcionários públicos municipais e da população de Venturosa às autoridades competentes.

10. O senhor poderia relatar sua maior conquista e sua maior derrota nesses anos como homem público?


Vou citar três conquistas, que eu acho que foram importantes: emendas feitas ao projeto de Lei revisando o Programa de cargos e carreiras dos professores em 2009, aprovadas por todos os vereadores, e que acabou beneficiando todos os professores. Outra emenda passando de agosto para fevereiro a data base de aumento salarial dos funcionários públicos de Venturosa, com aprovação de todos os vereadores. E por último uma representação feita em 2005, para o poder executivo pagar o salário-família de acordo com a legislação vigente no país, e os valores a serem pagos atualmente, deveriam ser R$ 29,41 para quem ganha R$ 573,58 e R$ 20,73 acima de 573,58 até 862,11, e não 0,11 centavos como estava sendo pago, o ministério público teve uma participação importante nesse episódio, quando conversou com o poder executivo, que logo em seguida mandou o projeto de lei aumentando para 12,00 reais o valor do salário-família. Mais esperamos que uma ação que está em tramitação seja jugada, a favor dos funcionários públicos de Venturosa.

Maior derrota foi ter sido o vereador mais votado na última eleição próxima passada, e não vê o candidato a prefeito do meu partido ser eleito. Tinha esperança de que algumas das minhas ideias pudessem ser colocadas em prática. Mais tudo tem seu tempo, e a sabedoria do homem é saber esperar.

Queria falar sobre a minha luta, para que as reuniões da Câmara sejam transmitidas pela a rádio comunitária de Venturosa, assim como também pela internet. Seguir o exemplo de Arcoverde, que já vem transmitido suas reuniões há algum tempo pelo rádio. Fazer a transmissão pelo rádio é uma forma dá transparência ao trabalho legislativo de Venturosa.

11. Qual a mensagem que gostaria de deixar para o povo de nossa querida Venturosa e para os amigos navegantes que acompanham esse blog?

Podemos ter divergência de caráter politico partidário, pessoal, ou de qualquer outra natureza, mais temos que ter um ponto de convergência, que é o bem comum de todos que fazem a cidade de Venturosa.

Emerson, Quero agradecer o convite e o espaço no seu blog, estarei sempre a disposição, tanto para responder perguntas como estou todos os dias na Câmara de vereadores de Venturosa, para atender toda e qualquer reivindicação do povo de Venturosa.

Um abraço a todos e meu muito obrigado.